Setembro, dentro da sala de reuniões do Batalhão Godwind.
Bang!
Michael Ross, o comandante do batalhão, bateu a palma da mão na mesa com força. Seu rosto estava tomado pela fúria enquanto encarava os dois capitães à sua frente.
"Olhem pra vocês! Só olhem esse estado lamentável!" Sua voz tremia de raiva. "Vocês são soldados experientes, não são? Já lideraram unidades de recrutas cinco ou seis vezes, ou não? E agora, deixam um grupo de estudantes transformar tudo nesse caos? Vocês envergonharam a si mesmos! Envergonharam o Batalhão Godwind!"
Do lado de fora, uma multidão de oficiais reunidos observava a cena. Entre eles, Ryan Lane, esticava o pescoço na tentativa de ver o que estava acontecendo lá dentro.
Ryan havia acabado de chegar nesse novo mundo após sua estranha transmigração. No início, ele apenas queria se familiarizar com o ambiente caminhando pelos corredores. Antes mesmo de perceber, ele foi puxado para essa reunião inesperada.
Enquanto olhava para o seu uniforme, mais especificamente o distintivo de segundo-tenente, uma onda de novas memórias invadiu sua mente.
Aparentemente, ele havia se tornado o conselheiro cultural do batalhão, responsável por boletins informativos e pela organização de apresentações. A revelação deixou Ryan com uma expressão de desgosto. Em sua vida anterior, ele era um viciado em adrenalina, completamente apaixonado por esportes radicais. Liberdade e aventura eram como o ar que ele respirava.
E agora, preso em um trabalho burocrático envolvendo arte? A simples ideia de gastar seu tempo escrevendo relatórios e planejando eventos dava vontade de gritar.
De repente, a voz cortante de Michael Ross ecoou novamente pela sala, preenchendo até os corredores.
"E então? Por que não estão dizendo nada? Ficaram mudos de repente? Não eram tão corajosos antes do treinamento militar? O que foi—amarelaram agora?"
Ryan Lane espiou dentro da sala de reuniões. Um oficial estava sentado em uma cadeira de rodas, enquanto o outro apoiava-se numa muleta.
Seus olhos se arregalaram de surpresa. Que diabos está acontecendo? Eles acabaram de rastejar para fora de um campo de batalha ou algo assim?
O oficial com a muleta soltou um suspiro derrotado e desabafou: "Comandante, eu realmente não sou o mais adequado pra essa missão. Passe pra alguém mais competente, por favor."
Do lado de fora da sala, os oficiais reunidos tentavam segurar o riso, embora alguns tremessem ao fazer o esforço. Alguns não conseguiram e soltaram risadas abafadas, o que atraiu um olhar cortante de Michael Ross. Isso foi o suficiente para que tapassem a boca com as mãos instantaneamente.
Ryan, agora mais acostumado com a enxurrada de memórias desse mundo, olhou para seu distintivo de segundo-tenente novamente. A absurda situação quase o fez rir. Ele havia planejado simplesmente sair dali sem chamar atenção—seja lá o que fosse aquilo, não era problema dele. Mas, com tanta gente por perto, sair de fininho parecia impossível. No fim, acabou se resignando a ficar por ali.
Michael Ross lançou um olhar impaciente para o oficial apoiado na muleta. "Você acha que eu te designei para essa tarefa por falta de opção? Eu confiei em você para isso. E é assim que você retribui essa confiança?"
O capitão esboçou um sorriso amargo e respondeu: "Comandante Ross, eu entendi perfeitamente suas intenções. Mas, o senhor sabe que acabamos de receber recrutas novos este ano, e as habilidades de combate deles ainda não melhoraram muito. Com a competição militar geral se aproximando, eu não posso deixar que essa tarefa de treinamento interfira na preparação deles. Isso não acabaria sendo uma vergonha para o senhor no final das contas?"
Michael Ross lançou-lhe um olhar penetrante, segurando a frustração com dificuldade. "Certo, chega de desculpas."
Ele então se virou para o outro capitão. "E você? Tá pensando em fugir também para treinar suas tropas?"
O outro capitão fez uma expressão de quem estava sem saída e respondeu: "Eu adoraria, mas, veja bem, estou praticamente incapacitado agora. Como vou liderá-los preso deste jeito? Preciso de descanso de verdade."
Michael ficou perplexo, estreitando os olhos em descrença. "O que aconteceu com você? Por que está de repente numa cadeira de rodas?"
O capitão, visivelmente irritado e envergonhado, explicou: "Eu comi algo que não me fez bem e... bom, passei mal a noite toda com diarreia. Onze vezes só na noite passada, Comandante! Eu fisicamente não consigo ficar de pé agora — não é que eu não queira, meu corpo simplesmente não colabora."
Ao ouvir isso, os oficiais perto da porta começaram a rir, alguns segurando a barriga, tentando, sem sucesso, conter a risada. Até Ryan Lane, que ainda estava se ajustando a esse mundo estranho, quase perdeu a compostura diante da cena.
Embora ainda um pouco sobrecarregado pela situação, Ryan se pegou sorrindo internamente. "Sério, esses dois são um caso à parte. As desculpas estão ficando cada vez mais criativas."
Um oficial próximo riu e comentou: "É, tá parecendo um show. Parece que eles tão competindo pra ver quem inventa a justificativa mais absurda!"
Outro entrou na conversa, sorrindo: "Eles deveriam registrar patente dessas desculpas!"
Ouvindo as discussões, Ryan sentiu uma ponta de curiosidade genuína pela missão de treinamento. Levar um grupo de recrutas para treinar? Isso parecia ser a tarefa mais fácil, então por que todos estavam tão relutantes?
Michael Ross encarou seriamente um dos capitães. "Sério? De todas as horas, sua barriga tinha que dar problema exatamente agora? Não podia ser antes ou depois? O que é, alergia ao ambiente?"
O capitão parecia completamente derrotado. "Chefe, ontem à noite eu já tava achando que tinha virado algum tipo de canhão de água portátil! Acredite em mim, isso não é algo que eu queria. Espere... ah, não, tá acontecendo de novo..."
Ele saiu correndo com a cadeira de rodas em direção ao banheiro, o mais rápido que conseguia com as mãos.
A cena levou todos ao redor a tentar desesperadamente segurar o riso. No final, não aguentaram e desabaram em gargalhadas. Até Ryan Lane, segurando o estômago, tinha lágrimas nos olhos de tanto rir.
Michael tentou manter a expressão séria, mas não aguentou por mais do que um segundo. Ele caiu na gargalhada, rindo tão forte que seus ombros tremiam, e levou um bom tempo para se recompor. Quando finalmente parou, pigarreou.
"Certo, já chega!" Seu tom ficou sério, e o olhar cortante percorreu a sala. "Ainda não escolhemos ninguém para o treinamento."
Assim que ouviram isso, o pessoal do lado de fora rapidamente se endireitou, limpando qualquer vestígio de diversão dos rostos. O olhar de Michael – aquele que gritava *não estou brincando* – deixou todos cientes do que estava por vir.
Como previsto, começaram a se afastar discretamente, tentando sumir de qualquer jeito.
"Nem pensem nisso!" Michael gritou. "Fiquem exatamente onde estão! Assistir à diversão é fácil, né? Mas na hora de fazer algo, todo mundo desaparece?"
Ele lançou um olhar acusador. "Deixa eu lembrar vocês de uma coisa: se esse treinamento falhar de novo, os superiores vão nos transformar na piada do quartel. E aí, gostaram da motivação extra? Sabem o que é um pão cru? Bonito por fora, mas totalmente inútil por dentro!"
Michael Ross estava fervendo de raiva. "A bandeira da Unidade Kamikaze está encharcada com o sangue de incontáveis soldados. É nosso dever proteger essa honra com nossas vidas. Temos que mostrar para os líderes que ainda somos a Unidade Kamikaze que eles conhecem – e não um bando de frouxos!"
O silêncio tomou conta do ambiente enquanto as palavras dele ecoavam.
Apontando de forma enérgica para um dos capitães, ele soltou: "Kevin Wade, você—"
O homem começou a balançar as mãos freneticamente, puro desespero estampado no rosto. "Comandante, isso diz respeito à reputação de toda a unidade! Uma responsabilidade dessas é demais pra mim. Eu não dou conta!"
O olhar de Michael se voltou para outro oficial, que imediatamente protestou: "Comandante, eu sou apenas um oficial de logística—nunca liderei tropas na vida! Planejar estratégias o dia inteiro, isso eu sei fazer. Mas treinar recrutas? Isso tá muito além da minha especialidade!"
Um por um, ele foi chamando os outros, e a resposta era sempre a mesma: ninguém queria a missão.
Não era difícil entender o motivo. Os recrutas que tinham que treinar naquele ano eram famosos por serem rebeldes e indisciplinados, os piores em anos. Normalmente, essas missões de treinamento seriam designadas pelos superiores, mas, por algum motivo que ninguém sabia explicar, a Unidade Kamikaze tinha sido escolhida para encarar esse pesadelo.
E, com menos de dois meses para os testes de avaliação militar – sem contar a revisão planejada pelos oficiais de alta patente –, o cenário parecia cada vez mais catastrófico. Se isso desse errado, o futuro de Michael estaria acabado.
Então, definitivamente, ele não iria se oferecer para essa enrascada.
Ryan Lane deu uma olhada ao redor da sala, envolta em um silêncio constrangedor. Seus olhos carregavam um toque de frustração.
Em sua vida anterior, ele era um apaixonado por adrenalina, um aventureiro que vivia de esportes radicais. Liberdade e o entusiasmo de um desafio – era isso que o movia.
Ele havia acabado neste mundo estranho por causa de um salto de paraquedas extremo que deu errado.
"Ficar aqui sentado preenchendo papéis e rabiscando é como morrer de tédio," pensou ele, enquanto uma decisão surgia em sua mente, rápida e determinada. "Quero dizer, já morri uma vez, então o que eu tenho a perder? Se eles estão todos com medo, eu encaro isso!"
Com essa determinação, Ryan deu um passo à frente, rompendo o pesado silêncio.
"Comandante, eu me ofereço para liderar o treinamento na escola!"
Todas as cabeças na sala se viraram na direção dele, rostos expressando pura incredulidade.
Michael Ross, o comandante, arqueou uma sobrancelha cética e o encarou firme. "Você? E... quem é você mesmo?"



