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Temida pelos Fantasmas, Amada por Todos

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Bilionário

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Introduction

Amelia Bennett tinha acabado de completar dezoito anos quando seu mestre a expulsou da montanha, dizendo que era hora de ela “ganhar experiência no mundo real”. Mal sabia ela que sua primeira parada depois de descer seria a delegacia. Num momento, os policiais estavam lhe dando uma bronca sobre bom senso e, no seguinte, já estavam questionando toda a visão de mundo deles. Seu segundo cliente acabou sendo seu irmão mais velho, que ela não via há muito tempo. Amelia já estava se preparando mentalmente para lidar com mais um caloteiro tentando fugir do pagamento, mas acabou sendo levada direto para a mansão da família Bennett. Ao ver a deslumbrante, porém falsa, herdeira, Amelia não hesitou. “Uau, mana, você é linda! Posso te dar um abraço?” O que poderia ter sido uma batalha explosiva entre a herdeira verdadeira e a falsa foi facilmente resolvido por Amelia. E melhor ainda: a bela irmã mais velha lhe deu a ideia de começar um negócio de adivinhação em lives. “Ei, streamer, meu namorado tá me traindo?” Amelia: “Não só tá te traindo — ele também é gay.” “Streamer, esse amuleto budista que comprei no exterior é verdadeiro?” Amelia: “Ah, verdadeiro ele é — verdadeiramente amaldiçoado.” “Streamer, minha irmã sumiu. Você pode ajudar a encontrar ela?” Amelia: “Procura no freezer do galpão. Ah, e aliás, ela tá literalmente sentada no seu ombro agora.” Justo quando a carreira de Amelia como streamer estava decolando, ela e sua irmã maravilhosa foram convidadas para um reality show. Mas, para sua fúria, algumas pessoas realmente ousaram intimidar sua irmã! Para o idol famoso que vivia ostentando o status de “solteiro”: “Seu galinha! Fica bem longe da minha irmã!” Para a mulher ardilosa que não parava de causar problemas: “Destruidora de lares! E ainda tem um filho secreto!” Para o modelo júnior insistente que não parava de importunar sua irmã: “Cai fora, ou a sua sugar mommy vai ficar furiosa!”
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Chapter 1

"Mestre! Eu não quero descer a montanha! Por que eu tenho que ir?"

Amelia Bennett chorava alto, agarrada à mochila recém‑arrumada como se sua vida dependesse disso, os olhos presos no mestre com uma expressão lastimável.

Ela tinha acabado de completar dezoito anos ontem. Não podiam esperar ao menos mais alguns dias?

O Mestre Robert, vestido com uma túnica taoísta impecavelmente branca, franziu levemente o cenho. As sobrancelhas afiadas se mexeram quando ele deu um passo discreto para longe, claramente com medo de que as lágrimas e o nariz escorrendo dela manchassem suas roupas limpas.

"Chega. Você já é adulta, não é mais uma criança. Está na hora de conhecer o mundo real. Cultivadores não podem ficar protegidos para sempre — o verdadeiro crescimento vem lá fora."

"Mas, Mestre, o senhor não tem medo de eu encontrar algum monstro maluco lá embaixo? Tipo um com três cabeças, sete braços e oito pernas?" Ela tentou mudar de estratégia, trocando os gritos por olhos grandes e marejados.

O Mestre Robert soltou um resmungo frio e lhe deu um tapa leve na cabeça, sem suavidade alguma. "Você já aprendeu quase todas as minhas habilidades. Nada lá embaixo vai te incomodar. Pare com esse drama."

Amelia endireitou a postura com um biquinho, enxugando as lágrimas falsas. Não adiantava chorar — o mestre não ia cair naquilo.

"Então eu realmente tenho que ir?"

Ela tinha passado a vida inteira naquela montanha. Sair agora parecia ser atirada em um mundo totalmente desconhecido.

"Sim. Sem discussão."

"E o senhor, Mestre? Não vai ficar sozinho quando eu for?"

"Eu tenho meus próprios planos. Não enrola. Você já está começando a me irritar. Eu mesmo vou te mandar embora."

"Tá bom, seja o que Deus quiser!"

Quando ela hesitou de novo, o Mestre Robert perdeu a paciência. Em um único movimento, levantou a perna e deu um chute bem no meio das costas dela.

Quando percebeu, Amelia já estava voando morro abaixo em um arco perfeito, seu grito estridente ecoando pelo vale.

"Mestre! Seu traidor! Aaaaaaah—"

Logo antes de se espatifar, ela rapidamente formou um selo com as mãos.

"Deslocamento do Vento, pausar!"

Com a velocidade do vento diminuída, ela calculou direitinho, girando o corpo em uma descida elegante, pousando com suavidade graças a uma técnica de leveza.

Mesmo assim, esfregou a bunda dolorida entre os dentes cerrados, encarando o alto da montanha de onde tinha sido chutada.

"Aquele velho não pegou leve. Minha bunda tá dormente", resmungou, fazendo uma careta.

Revirando o bolso, ela tirou um celular todo rachado que, de algum jeito, ainda funcionava. A tela estava um caos, mas mostrava a hora.

"Nem me deixaram ficar pro almoço. Inacreditável."

A vida na montanha não era totalmente isolada do mundo. Eles tinham alguns confortos. Seu mestre não era do tipo que mimava, mas sempre deu o necessário.

Ela começou a seguir devagar em direção ao ponto de ônibus ali perto.

Bom, pelo menos podia comer alguma coisa na cidade antes.

Ela não descia a montanha com frequência, mas isso não significava que fosse perdida. A internet lá em cima era ruim, mas funcionava o suficiente para lhe mostrar um pouco do brilho do mundo lá fora.

Uma lotação parou na estação e estacionou bem na frente dela. Amelia levantou os olhos — ia para a cidade principal.

Ela suspirou, murmurando: "Tá bom então, deve ser destino."Ao subir no ônibus, ela escolheu um assento vazio e se sentou.

Quase no mesmo instante, todos a bordo viraram para olhar para ela. “De quem é essa garota? Ela é bem bonita… embora a roupa seja meio esquisita.”

Amelia Bennett ainda usava as vestes de treino da montanha: túnicas brancas impecáveis e o cabelo preto preso em um coque bem arrumado. Para o pessoal da cidade, ela chamava atenção demais — principalmente porque parecia tão jovem.

E ela realmente era deslumbrante — a pele macia e luminosa como um botão de flor prestes a desabrochar, os olhos brilhando como se tivessem pequenas estrelas dentro deles. Não era de se admirar que todos encarassem.

Amelia se mexeu, desconfortável, pigarreou, e só então os curiosos saíram do transe, desviando o olhar rapidamente.

Pouco depois, uma mulher um pouco rechonchuda veio se arrastando até ela.

“Vai pra onde?”

A voz era rouca, os lábios pintados de vermelho vivo, o cabelo puxado num coque apertado. Parecia rígida, do tipo com quem ninguém queria se meter.

Amelia inclinou a cabeça, pensou por um instante e disse: “Até a última parada — na cidade.”

A mulher assentiu e arrancou um bilhete de papel da caixinha à sua frente. Estendeu o ticket para Amelia.

“Cinquenta.”

Amelia ficou paralisada. Cinquenta, só pra chegar à cidade?

Os olhos dela se arregalaram, o choque estampado no rosto.

A mulher soltou um suspiro, um pouco irritada, mas ainda assim se deu ao trabalho de explicar. “É igual pra todo mundo. Pode perguntar por aí — é o preço. A viagem é longa, e a gente só faz umas poucas saídas por dia. Se perder essa, vai saber quando vem a próxima. O valor é fixo.”

Ao ouvir isso, Amelia observou o rosto da mulher com atenção, analisando sua expressão com a habilidade que aprendera. Nada de estranho — ela realmente não estava tentando enganá-la.

Com um suspiro leve, Amelia puxou com cuidado uma nota novinha de cem yuans da bolsinha e a entregou, como se doesse fisicamente deixá-la ir.

A mulher acabou olhando para dentro da bolsinha de Amelia — só algumas notas e umas moedas. Hoje em dia, quem ainda usava dinheiro em espécie? Devia vir de uma situação difícil. E tão jovem — provavelmente ainda estudante. Aquela nota de cem podia ser todo o dinheiro da semana.

Mas a mulher não comentou nada. Afinal, ela também tinha seus próprios problemas. Dar desconto significava pagar a diferença do próprio bolso — e quem podia fazer isso?

Quando Amelia não recebeu o troco imediatamente, ela disse com delicadeza: “Tia… e os cinquenta de troco?”

“Ah, claro, tá aqui.” A mulher entregou o dinheiro rápido. “Relaxa — não vou te passar a perna.”

Ela balançou o corpo de volta para o seu assento enquanto Amelia dobrava o troco e o guardava com muito cuidado na bolsinha, dando um tapinha suave, como se estivesse guardando um tesouro.

Do lado de fora, a paisagem passava borrada. O balanço rítmico do ônibus a embalava e, logo, seus olhos começaram a pesar de sono.

...

“Ei, querida, chegamos. Acorda.”

A voz da mulher agora estava mais suave, ao perceber que Amelia não se mexera nem com todo o barulho ao redor.

Os olhos de Amelia se abriram na hora, claros e atentos.

“Obrigada, tia.” Ela se espreguiçou devagar, colocou a bolsa no ombro e desceu do ônibus.

Vendo-a ir embora tão despreocupada, a mulher não conseguiu evitar dizer: “Menina, da próxima vez não dorme tão profundamente em lugar desconhecido. Fica de olho nas tuas coisas, tá?”

Amelia parou no meio do passo, um pouco surpresa com o aviso gentil. Mas logo sentiu a sinceridade por trás daquelas palavras.

Ela enfiou a mão na bolsinha pequena, remexeu por um momento e puxou um pequeno talismã amarelo em formato de triângulo.

Sem hesitar, empurrou-o na mão da mulher. “Toma. Pra você.”

Seu primeiro gesto em retribuição à gentileza que recebera desde que descera da montanha.