O jipe parou na entrada do beco esfarrapado, atraindo de imediato a atenção dos curiosos.
"É verdade que Evelyn Hart vai mesmo virar concubina do Victor Graham?"
"E ainda arrastou aquela menininha grudada nela, a filha? Não tem medo de os Graham botarem as duas pra fora?"
"Sempre soube que ela não era essa viuvinha inocente. Vive toda arrumada daquele jeito — tá escrito na cara que é caça‑homem."
"Como é que o Victor Graham pode se interessar por uma viúva?"
"Dizem que ela salvou a vida dele uma vez..."
A multidão fervilhava com todo tipo de fofoca.
Aquele beco pobre, cheio de gente comum, agora tinha assunto de sobra. Evelyn Hart ia se casar com os Graham! Virar a quarta concubina!
Era como ganhar na loteria — do nada, os Hart estavam prestes a se dar bem.
Com todos os olhares voltados para ela, Evelyn puxou a mão da filha e endireitou a postura no banco de trás do jipe.
No caminho para a propriedade dos Graham, Evelyn não parou de instruir a menina. "Quando a gente chegar lá, fique esperta. Quando vir o Comandante, chama ele de ‘Papai’, tá? E você lembra do Sr. Graham, lembra? A partir de agora, ele é seu pai..."
"Espera, o Sr. Graham?" "Papai! Papai Comandante!"
"Papai Comandante?"
"Isso mesmo!"
A mansão dos Graham era uma grande vila branca, parecendo quase um castelo. Quando os portões de ferro se abriram, o carro deslizou pelo gramado impecável e parou na entrada.
Mianmian encostou o rosto na janela, os olhos bem abertos, cheios de curiosidade. "Mamãe, esse lugar é tão bonito."
Desta vez, Evelyn Hart não respondeu.
Não só ignorou a filha, como também esqueceu de tirá‑la do carro quando desceu.
O jipe era alto demais para Mianmian, e ela esticou as perninhas rechonchudas, tentando — sem conseguir — alcançar o chão. Seus pezinhos balançavam no ar enquanto ela se esforçava.
Enquanto isso, Evelyn já ia caminhando à frente, deixando a menina para trás. Mianmian olhou ao redor antes de erguer a mãozinha para Henry Clarke, que estava ali perto.
"Tio, me pega no colo."
Henry baixou o olhar e viu um rostinho redondo, com bochechas fofas e macias, irresistivelmente adorável.
Ele hesitou, mas a mão dela continuou erguida, e aqueles olhos escuros, grandes como uvas, piscavam cheios de expectativa. Ela insistiu com a voz doce e suave: "Me pega, por favor."
Era a primeira vez que ele encontrava uma garotinha tão espevitada. Sem pensar muito, Henry se abaixou e a pegou nos braços. Assim que a levantou, o pulso cedeu de repente — quase a deixou cair.
Essa menina... é mais pesada do que parece!
Mianmian aterrissou no chão com um baque e disse educadamente: "Obrigada, Tio."
"De nada, pequena."
As portas duplas da mansão estavam escancaradas, ladeadas por duas fileiras de empregadas em uniforme preto e branco. Lá dentro, o luxo era de tirar o fôlego — o lustre de cristal brilhava mesmo no meio do dia.
Na sala de estar, Margaret Brooks, a esposa de Victor Graham, e as outras três concubinas estavam sentadas no sofá de couro.
Elas esperavam ali desde cedo — a nova concubina chegaria hoje.
No momento em que Evelyn Hart e sua filha entraram, foram recebidas por quatro pares de olhos cheios de escrutínio.
“Cotton”, Evelyn sussurrou, nervosa, puxando a manga da filha, “cumprimente.”
Cotton encarou curiosamente as mulheres à sua frente.
Evelyn Hart tinha vindo para se casar com Victor Graham como sua quarta concubina. Ela já tinha repetido para Cotton várias vezes — elas estavam ali para fazer parte daquela família agora, e Cotton seria a filha de Victor.
Então Cotton estufou o peitinho e, com toda a confiança do mundo, começou a cumprimentá‑las:
“Mamãe!”
As quatro mulheres congelaram.
Evelyn também ficou atônita.
A voz doce de Cotton disparou como uma metralhadora.
“Mamãe!”
“Mamãe!”
“Mamãe!”
Quatro mamães — agora todas tinham ganhado uma filha!
Após um breve silêncio, Daisy Quinn não conseguiu segurar a risada.
“Desde quando nossa casa tem padrões tão baixos? Agora qualquer vira‑lata aparece e acha que é da família.”
“Vira‑latas?” Os olhos de Cotton brilharam. “Onde?”
Ela olhou ao redor, ansiosa, cheia de curiosidade, mas antes que encontrasse algo, Evelyn Hart a puxou para trás.
Margaret Brooks falou com calma: “Senhorita Hart, o General está ocupado com assuntos militares hoje. Ele já me avisou para recebê‑la em nossa casa.”
Enquanto dizia isso, seu olhar caiu sobre a garotinha espiando por trás de Evelyn. A criança, pequena e de perninhas grossas, agarrava‑se firme à perna da mãe. De trás, ela enfiava o rostinho rechonchudo para fora, adorável e inocente.
Lembrando‑se do “mamãe” que a menina tinha dito antes, Margaret não conseguiu conter uma risadinha.
“Esta é minha filha”, Evelyn Hart afirmou com firmeza. “O General está plenamente ciente disso.”
Daisy Quinn zombou: “Ah, que atencioso o General. Não bastava trazer mais uma mulher, agora trouxe uma criança também. Daqui a pouco vão achar que isto aqui é casa de caridade.”
“Chega. Pare com isso”, Margaret Brooks a interrompeu, virando‑se para ela, e depois acenou para Cotton. “Venha aqui, pequenininha.”
Sobre a mesa de centro havia um bule de chá recém‑feito e um prato de petiscos.
Cotton olhou para a mãe e, como não viu nenhuma reprovação, correu rapidamente até lá.
Erguendo o olhar para Margaret Brooks, hesitou por um segundo, depois disse com confiança:
“Mamãe!”
Margaret soltou outra risada. “Qual é o seu nome, querida?”
“Cotton, só Cotton!”
“E quantos anos você tem, Cotton?”
“Tenho três!”
Depois de mais algumas perguntas, Margaret finalmente voltou a atenção para Evelyn Hart. “Eu não sabia que você tinha uma filha também. Ela é tão pequena. Vocês duas podem dividir um quarto por enquanto.”
O rosto de Evelyn suavizou um pouco e ela fez um aceno contido. “Obrigada.”
“Vocês vão ficar no andar de cima, no segundo andar. Ah Xiang, leve‑as até lá”, Margaret ordenou a uma empregada próxima. “E traga também as coisas da Quinta Madame.”
Conduzindo o caminho, a criada disse: "Quinta Madame, por aqui, por favor."
Mesmo depois de terem andado um bom trecho, a voz de Daisy Quinn ainda vinha da sala de estar:
"Francamente, achei que ela fosse impressionante, mas é só... isso aí."
O rosto de Evelyn ficou vermelho de raiva. As escadas eram íngremes, então a pequena Millie esticou os bracinhos, ansiosa. Evelyn Hart se abaixou e a pegou no colo, subindo com passadas firmes que ecoavam nos degraus de madeira
Quando entrou no quarto, fechou a porta atrás delas. Assim que a criada se afastou, Evelyn começou a desabafar
"Inacreditável! Elas se acham demais. Nós salvamos a vida do Victor Graham, pelo amor de Deus!"
"Crunch."
"Todas elas são apenas concubinas! Quem sabe qual vai ser a favorita no futuro!"
"…"
"E você, sua bobinha, eu só tenho uma filha, e você fica chamando elas de ‘mamãe’?!"
"Crunch."
Sem ouvir resposta, Evelyn se virou e viu Millie, com as bochechas estufadas enquanto mastigava, espalhando farelos para todo lado
Evelyn reconheceu o doce na hora — biscoitos ocidentais da loja de departamentos, cobertos com amêndoas trituradas
"Millie, onde você conseguiu esses biscoitos?"
"A mamãe me deu."
"Qual mamãe?"
Millie respondeu toda animada: "A maior de todas!"



