"Uma filha falsa como ela não pertence a esta casa!"
"A Avery se sente péssima toda vez que a vê. Ela tem que ir embora," disse uma mulher friamente.
"Criamos ela todos esses anos. Mesmo que tenha havido um engano, ela ainda é nossa filha. Vamos lá, não é como se não pudéssemos mantê-la aqui," o homem respondeu, um tom de desespero em sua voz.
Quando Ruth Nolan finalmente recobrou a consciência, estava deitada em uma cama de hospital. Vozes quentes do lado de fora da porta a despertaram de vez em um instante.
"De jeito nenhum! Assim que ela acordar, vai voltar para aquela família Nolan falida! Pense em tudo que a Avery passou!" a mulher exclamou, irredutível.
Enquanto isso, a garota deitada na cama já tinha aberto os olhos. O monitor ao lado dela apitava em um ritmo estável, como se nada tivesse acontecido.
Mas as pessoas discutindo do lado de fora não perceberam que a alma no corpo de Ruth já havia mudado.
Ela piscou seus longos cílios e encarou o teto sem entender nada. Sim... isso era muito estranho.
Então, uma enxurrada de memórias inundou seu cérebro de uma vez.
Ruth ficou sentada ali, completamente sem chão.
O que é isso? Ela costumava ser uma garota rica de alto nível—linda, gentil e descolada sem esforço. Como ela foi parar dentro de algum romance melodramático exagerado?
E pior ainda, agora estava no papel da pobre falsa herdeira destinada a ser expulsa da rica família Ryan.
Na história, a verdadeira herdeira Avery Ryan era perfeita—todos a adoravam, os protagonistas masculinos nunca resistiam a ela, e os personagens secundários faziam fila só para tentar conquistá-la.
A filha falsa, por outro lado? Ela existia apenas para causar intrigas e ser depreciada por todos.
E agora Ruth tinha se tornado essa filha falsa, prestes a ser jogada fora sem nada.
Deitada neste quarto luxuoso de hospital, ela não pôde deixar de franzir a testa ao lembrar-se de como a garota original tinha bagunçado tudo.
A garota original tentou se agarrar à família Ryan ameaçando suicídio. Ela conseguiu se manter por um tempo, mas ao invés de ficar na dela, continuou provocando a verdadeira filha, Avery, até todos a odiarem. No fim, foi atropelada por um caminhão—fala sério, que trágico.
Ruth achava tudo isso extremamente irônico.
Toda essa confusão por uma história de troca na maternidade?
Seus pais adotivos já sabiam a verdade. Por que se agarrar a algo que não é seu? Não seria melhor voltar para casa dos Nolans?
Sério, cavam a própria cova, depois reclamam do destino?
Do lado de fora do quarto, seus pais adotivos Ethan Ryan e Opal Douglas ainda estavam envolvidos numa discussão acalorada.
Como esta era uma suíte de hospital de luxo financiada pelos Ryans, nenhuma enfermeira ousava intervir apesar do barulho que eles faziam.
"Seja honesto—quem é realmente sua filha, Avery ou Ruth? Tratamos a Ruth muito bem todos esses anos. Agora veja o que os Nolans fizeram com a Avery! Fizeram ela trabalhar para que sete irmãos pudessem estudar."
"Sete homens feitos, todos saudáveis—por que minha filha tem que sustentá-los? Os Nolans favoreceram os filhos e trataram a Avery como lixo. Eu não surtei com eles antes, mas agora esperam que eu aceite essa garota? Só de vê-la já fico irritado!"
"Ethan, estamos casados há quantos anos? Vou ser clara—ou tira a Ruth daqui ou eu acabo com essa vida!"
Ethan olhou para a esposa irrazoável, o rosto preocupado sem ter ideia de como consertar aquilo tudo.
Claro, os Nolans falharam com a Avery. Mas a Ruth, ela não fez nada de errado.
Ela pode ter sido um pouco mimada e imprudente, mas se importou de verdade com eles todos esses anos.
De repente, a discussão parou quando a porta rangeu ao abrir.
Entrou uma garota esguia, a testa enfaixada e o avental de hospital caindo frouxamente sobre sua figura magra.
Seus olhos estavam calmos e sua voz firme enquanto dizia: "Não precisam brigar. Vou resolver minha alta hoje e sair amanhã."
Ela fez uma pausa e então acrescentou em voz baixa: "Vou para casa—minha verdadeira casa."



