8 de junho de 2024.
Quando o sinal tocou, o exame de admissão à faculdade finalmente chegou ao fim naquele ano.
Nina Mason mal teve forças para entregar sua prova ao professor antes de desabar sobre a carteira.
Lá fora, a luz ofuscante do sol piscava de forma dolorosa, e os gritos agudos de pânico do fiscal zuniram em seus ouvidos antes que tudo escurecesse.
No Primeiro Hospital da Cidade de Jing.
Quando Absalom Reed, diretor do Instituto de Bem‑Estar, chegou às pressas à sala de emergência, ele nem conseguiu ver Nina antes de ser puxado de lado por um médico.
"Diretor Reed."
Chester Price, chefe da emergência, já conhecia bem Absalom Reed. Sempre que alguma criança do orfanato tinha problemas de saúde, eram encaminhadas para aquele hospital.
"Dr. Price, como está a Nina?"
Absalom agarrou o jaleco branco de Chester com força, sua voz trêmula de urgência.
"Diretor Reed, o senhor conhece o estado da Nina tão bem quanto eu. O fato de ela ter chegado até aqui já foi um milagre. O corpo dela… é como uma garrafa rachada — simplesmente não consegue mais aguentar."
O rosto de Absalom empalideceu. Ele estava preparado, mas ouvir aquilo em voz alta ainda torceu seu coração numa dor impossível de medir. "Essa menina só tem dezoito anos, e acabou de terminar o vestibular este ano. Dr. Price, por favor, não há mais nada que possa ser feito por ela?"
"Sr. Reed", Chester Price suspirou profundamente. Como médico de emergência, ele já tinha visto muita vida e morte, mas ver uma vida tão jovem se apagar num momento tão promissor sempre doía.
"Fizemos tudo o que podíamos. A Nina toma remédios desde pequena. Sem a resistência incrível que ela tem, não teria chegado tão longe. Ela deu tudo de si, velho Reed", Chester disse, num tom mais suave, usando um modo de falar mais íntimo.
"Deixe ela ir. Deixe essa criança descansar em paz", Chester disse, dando um tapinha no ombro de Absalom Reed antes de deixá‑lo sozinho.
Absalom enxugou o rosto, tentando sorrir apesar da rigidez em suas feições, e entrou na sala de emergência.
Nina Mason tinha recobrado a consciência. Ela exibia um sorriso sereno, e até a luz suave e meio apagada que entrava pelas janelas parecia mais agradável para ela naquele momento.
"Nina, você acordou? Está sentindo alguma coisa?" Absalom se sentou ao lado da cama, seus olhos traindo a dor que ele tentava esconder.
"Não", Nina respondeu baixinho, com uma voz frágil, mas firme. "Pai Reed, eu acabei de ver minha mãe, meu pai e o Alexander."
Ao ouvir aquilo, um nó se formou na garganta de Absalom e seus olhos arderam, sua voz presa como se estivesse cheia de algodão. Nina Mason fora abandonada quando bebê, sem pais e sem Alexander Harper, o irmão de quem ela sempre falava. Desde os cinco anos, ela insistia que tinha uma mãe, um pai e um irmão chamado Alexander — sempre dizendo que eles estavam longe, esperando para encontrá‑la.
"É…" Absalom Reed inclinou levemente a cabeça, enxugando uma lágrima que escorria no canto do olho.
"Você acha que sua mãe e seu pai te amavam muito?" ele perguntou.
"Claro", o rosto de Nina se iluminou, seu sorriso radiante. "Eles me amavam demais. Tudo o que eu queria, eles me davam. E o Alexander era o melhor irmão — nunca achava que eu era chata, sempre me deixava ir com ele quando ele ia brincar."
Absalom manteve enterrada a dor que apertava seu peito e deixou Nina continuar falando, cada frase dela cortando‑o por dentro.
"Pai Reed, eu… eu vou morrer?" ela perguntou suavemente.
Nina sempre soube. No último mês antes das provas, sua saúde vinha desaparecendo aos poucos. Ela dormia mais, passava praticamente o dia todo deitada, mal conseguia comer qualquer coisa além de mingau ou macarrão. Ela não era ingênua; entendia perfeitamente o que estava acontecendo.
"Não fala bobagem!" Absalom afastou a franja dela rapidamente, sua voz firme, embora o coração estivesse em pedaços. Ver aquele rostinho delicado quase o destruiu.
"A nossa Nina está bem. Foi só o vestibular — estresse demais. Eu te disse pra pegar leve, não disse? Mas não, você não quis me ouvir!"
Os olhos brilhantes de Nina cintilaram com um traço de culpa. "Quem disse que eu não sou esperta? O Burt vive falando essas coisas, mas eu sou a mais inteligente! Mesmo sem ter estudado direito na escola, eu aprendi tudo que o Burt me ensinou. Só espera saírem as minhas notas — ele não vai ter coragem de me chamar de bobinha de novo."
"Isso mesmo, você com certeza não é bobinha nenhuma. O Burt é que é o bobo!"
O coração de Absalom doía, como se alguém estivesse girando uma faca dentro dele. "Quando o Burt voltar, vou acertar as contas com ele."
Os lábios de Nina estavam pálidos, mas seu rosto continuava calmo.
"Pai, não briga com o Burt. Ainda preciso que ele queime meus boletins quando saírem. Os pequenos são novos demais pra ir ao cemitério."
"Nina!"
A voz de Absalom veio carregada de emoção. Ele encarou a menina que entendia tudo bem demais e não conseguiu encontrar as palavras certas.
"Eu não estou com medo, pai."
Nina estendeu a mão e segurou a dele. Sua pele estava clara, deixando à mostra as veias azuladas.
"Eu vou encontrar a mamãe, o papai e o Alexander. Eles provavelmente ainda estão me esperando."
Absalom só podia torcer, mais do que nunca, para que aqueles nomes que Nina mencionara — mamãe, papai e Alexander — fossem pessoas reais, esperando em algum lugar.
"E eu, hein? Você vai simplesmente correr atrás deles e esquecer do seu pai e do Burt?"
Havia um leve amargor na voz dele.
"Heh", Nina deu uma risadinha fraca, quase inaudível.
"Nina, ficamos juntos por dezoito anos. Está na hora de eu deixar você ir, pra que possa ficar com eles."
"Tudo bem."
Absalom apertou a mão pequena e frágil dela. "Nossa Nina já fez o suficiente. Agora é hora de descansar, de ficar com eles."
Os lábios de Nina se curvaram num sorriso sereno. Ela lançou um olhar para a luz do sol que se apagava do lado de fora da janela, antes de fechar os olhos devagar.
O monitor cardíaco soou contínuo; o alarme agudo cortou o ar, seguido por passos apressados.
Chester entrou correndo na emergência, os olhos ficando vermelhos ao ver a menina sem vida.
Dezoito anos atrás, ela não passava de um embrulhinho de cobertores quando chegou. Naquela época, Chester era apenas um médico júnior — o que a havia recebido. Agora, estava ali de novo, despedindo-se dela.
"Chefe?"
Uma enfermeira chamou com cautela, olhando para Chester imóvel.
"Absalom, continuamos tentando?"
Chester sabia que tinha acabado; não havia como salvá-la. Ainda assim, perguntou, a voz pesada enquanto olhava para Absalom.
"Deixa ela ir."
Absalom respondeu, balançando a cabeça. "Ela já sofreu demais. Deixa partir em paz."
Chester Price fez um gesto com a mão, dispensando a enfermeira. Ficou parado atrás de Absalom Reed, os dois observando em silêncio o leve sorriso no rosto da jovem.
8 de junho de 1974, Conjunto Residencial da Fábrica Têxtil de Hushi.
Nina Mason acordou de um torpor, olhando ao redor do quarto que parecia ao mesmo tempo estranho e familiar.
Havia dois armários desalinhados, um guarda-roupa e, perto dele, uma escrivaninha de madeira. Sobre a mesa, uma pilha de gibis cuidadosamente arrumados.
Ela se sentou na cama, sentindo a energia no próprio corpo. Seus olhos brilharam de empolgação.
Sem se preocupar em calçar os sapatos, correu de meias brancas até a escrivaninha, onde havia um espelho. Ele refletia claramente seu rosto saudável e corado.
"Pai, mãe", ela murmurou baixinho, incapaz de conter as palavras.
Ela escancarou a porta e correu para a sala de estar
As pessoas sentadas ali se assustaram quando uma garota surgiu de repente
"Nina, querida, por que você não volta para o seu quarto e descansa?" Margaret Walker, esposa de Aidin Lewis, enxugou os olhos vermelhos e inchados, tentando acalmá‑la como se falasse com uma criança
"Papai, Mamãe!" Nina agarrou o braço de Margaret, os olhos vasculhando tudo ao redor
Sem ver ninguém na sala, ela se virou para ir ao quarto dos pais
"Nina!" Margaret a envolveu pela cintura, impedindo que avançasse. "Escuta a tia Margaret, tá? Volta pro seu quarto primeiro. Seus pais vão voltar hoje à noite", disse ela num tom gentil
Nina Mason sentiu algo estranho. Nos seus sonhos, sempre que queria encontrar os pais, a tia Margaret a levava até eles imediatamente. Por que agora diziam para ela esperar
"Não, eu não vou esperar. Eu quero encontrar meus pais", Nina respondeu teimosa, olhando firme para Margaret
Ela queria dizer que Nina não era mais boba — ela tinha voltado
"Calma, Nina", Margaret insistiu com suavidade, como quem conforta uma criança pequena. "Pode esperar um pouquinho? Deixa a tia terminar o que está fazendo, aí eu te levo pra ver sua mãe e seu pai."
Mas a sensação ruim no peito de Nina só crescia, se espalhando como fogo. Era pior do que o medo que sentira quando soube que ia morrer.



