O homem estava encharcado, a água escorrendo dos fios de cabelo e caindo quente contra a clavícula dela, como pequenas faíscas.
Os olhos dele, vermelhos de sangue, ardiam com um desejo selvagem, quase desequilibrado, como se estivesse pronto para devorá-la inteira.
“Dominic…”
Ella mal podia acreditar no que estava vendo.
Ela tinha certeza de que Liam a atropelara com o carro — não era para ela estar morta? Então por que, de repente, estava de volta a este quarto que conhecia tão bem?
O caos em sua mente foi interrompido por uma enxurrada de beijos molhados despencando sobre ela.
Pensar no quanto Dominic tinha sido distante em sua vida passada fez o pânico subir com força. Instintivamente, ela tentou reagir, mas Dominic segurou seus pulsos e a imobilizou como se não fosse nada.
O beijo dele era feroz, quase selvagem, roubando todo o ar de seus pulmões. Ela não conseguia respirar…
Quando estava prestes a desmaiar, Dominic a empurrou para longe.
Havia sangue marcando o canto dos lábios dele. Com toda calma, ele começou a abotoar a camisa novamente, os dedos longos e pálidos fechando cada botão com precisão, até o último, no colarinho.
Segundos antes, ele parecia um homem possuído. Agora? Frio como gelo. Como se nada daquele calor tivesse existido. Aquilo arrepiava.
Dominic terminou de se abotoar, olhou para ela sem qualquer expressão e disse, de forma plana: “Ella, você realmente achou que eu tocaria em você?”
Dominic! Por quê? Se ele não a amava, por que se casar com ela? Se casou com ela, por que tratá-la como lixo? Por que nunca a quisera, nem uma única vez? Por que só havia pisado no amor que ela ofereceu?
Aquele grito de impotência ecoou na mente de Ella, súbito, cortante, cru.
Ela arfou, como se estivesse acordando de um pesadelo.
E então tudo voltou.
Quatro anos atrás, ela e Dominic estavam casados havia apenas seis meses. Mas durante todo esse tempo, ele nunca encostara um dedo nela, por mais que ela tentasse conquistá-lo. Nada funcionava.
No fim, pressionada por sua irmã Clara, Ella jogou fora todo o orgulho e colocou algo na bebida dele. Achou que a dose era forte o suficiente para que ele não resistisse.
Mas ele resistiu. Ele não tocou nela, nem mesmo naquela noite.
“Se tentar isso de novo, pode cair fora.”
Com um estrondo, a porta foi batida na cara dela.
Ella ficou imóvel na cama, cheia de hematomas, atônita e em silêncio.
Ela… ela tinha voltado?
Voltado quatro anos no tempo? Voltado para a época em que amava Dominic tão profundamente que abriu mão de toda a sua dignidade?
Ella respirou fundo, encarando o próprio reflexo — abandonada, machucada, mas estranhamente… aliviada.
“Obrigada, Dominic. Por não ter dormido comigo.”
Em sua última vida, ela passou quatro longos anos tentando conquistar o amor dele. Abriu mão da carreira de atriz, cortou laços com todos os amigos, até ignorou a Vovó que a criara.
Quando Vovó faleceu e suas ligações para Dominic ficaram sem resposta, foi aí que finalmente entendeu — não importava quanto amor derramasse sobre ele, nunca seria suficiente.
O casamento deles sempre fora apenas um acordo. Dominic só tinha aceitado para agradar o avô moribundo. Tudo o que Ella precisava fazer era desempenhar o papel de esposa exemplar enquanto o velho estivesse vivo.
Mas ela, tola, acreditou que gentileza poderia mudar tudo.
Agora que tinha deixado esses sentimentos para trás, Ella só queria recomeçar — livre, e longe dele. Se conseguisse manter distância de Dominic, talvez finalmente tivesse o novo começo que merecia.
Desta vez, não repetiria os mesmos erros.
Dane-se o Dominic. Dane-se o amor.
Ela estava farta dos dois.



