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Apaixonada por um Mafioso

Apaixonada por um Mafioso

Terminé

Bilionário

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Introduction

Ela estava ali, toda nervosa, parada na frente daquele delinquente de olhos cinzentos. Por mais que tentasse fugir dele, o cara sempre dava um jeito de voltar pra perto dela. Cada vez que ele se inclinava mais, ela sentia o ar sumir dos pulmões. Além de tudo, o cheiro dele era bom demais — pelo menos foi isso que passou pela cabeça dela. Quando deu por si, já estava encostada na mesa dele, encarando aqueles olhos intensos. Ele era difícil até de descrever. "Você tem medo de mim, Ariel?" "Claro que não...", ela respondeu, mas a voz saiu trêmula. Só de ver ele ali, já ficava sem ar. "E se eu te beijar agora?" A pergunta fez o coração dela bater bem mais rápido, parecia que ia sair pela boca. Os dois estavam tão perto que ela podia sentir a respiração quente dele no pescoço. "Não tô me sentindo muito bem...", ele soltou, enquanto passava os dedos nos braços dela, como se testasse algo nela. "Por que tá me falando isso?" "Quero que você seja minha enfermeira. Me beije até eu melhorar. Ou então..." Ele sussurrou mais perto ainda, a voz coladinha nela. "Fique comigo hoje à noite…" •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Ela sempre foi a certinha. Tipo aquele clichê da menina quieta que prefere um bom livro a uma festa lotada. Não gostava de sair, amava ficar em casa. O sonho da vida dela? Ir pra uma escola de freiras. Tinha vontade de virar irmã, viver num convento e dedicar tudo a Deus. Tava quase fazendo os votos, pronta pra dizer sim na igreja, mas tudo desmoronou quando seu melhor amigo — sim, o cara em quem mais confiava — tirou tudo dela. Roubou aquela parte inocente que ela guardava com tanto cuidado, desrespeitou cada limite, rasgou até o símbolo da fé dela enquanto fazia isso. Depois disso, veio o ódio — por ela mesma, pela vida que levava e por aquela família que, em vez de apoio, só trouxe mais rejeição. Eles passaram a culpá-la por todo o escândalo, por perderem prestígio dentro da igreja. Aquilo foi o golpe final pra ela. Começou a desprezar tudo ao seu redor. O mundo. E principalmente os homens. Foi nesse momento, tentando juntar os pedaços, que Gray Carter apareceu no caminho dela. Mas o que será que esconde esse cara cheio de segredos e mistérios?
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Chapter 1

"PADRE, EU PEQUEI. PRECISO CONFESSAR."

Me encosto na cabine de confissão, chorando sem fazer barulho. Eu odiava minha vida, odiava tudo. Sabe quando você deseja algo com toda força e de repente sua melhor amiga vai lá e toma isso de você? Me senti inútil por deixar isso acontecer.

"O que foi, minha filha?", a voz do padre ecoa através da janelinha.

Asso o nariz e fico ali soluçando, sem nem saber por onde começar. Lembro de mim pequena, da minha família. Mas... onde eles estão agora? Viraram as costas pra mim.

.

Alguns dias atrás…

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"Tô muito feliz pela Ariel. Virar irmã na igreja é uma conquista e tanto", falou Leslie do meu lado. Estávamos jantando porque papai resolveu fazer um jantar em família pra comemorar a minha conquista. Fui chamada pro convento pra ser freira. Esse sempre foi meu sonho desde o ensino médio.

E pra mim, era super normal. Sou introvertida por natureza, gosto de uma vida simples. Nunca fui de fazer amizade demais ou ficar postando coisa. Meu pai odiava isso. Ele é diácono da nossa paróquia e respeitado demais. A gente vive em temor e verdade diante de Deus. Acho que é por isso que meus pais detestam eventos sociais. Nunca tive namorado, e até agradeço, porque sempre quis ser freira.

Mas o estranho é que, mesmo se eu quisesse, nenhum menino nunca chegou em mim. Eu era aquele tipo nerd estranha da escola — mas, sinceramente, nem ligava. Leslie, por outro lado, chamava mais atenção, alguns até se interessavam por ela. Eu me vestia como qualquer moça cristã deveria, o que se espera da filha do diácono.

"Minha bebê vai ser a primeira irmã dessa casa. Tô tão feliz que você manteve sua virgindade", disse mamãe, sorrindo largo e rindo baixinho.

"Ser virgem não define se alguém pode ser freira ou não", retrucou Leslie.

"Isso não importa agora. Ela fez a escolha certa e tô feliz que vai assumir seus votos", mamãe falou, animada.

"Quando é que você volta?", perguntou Alexa, minha prima — muito da saidinha, por sinal. Vive atrás de menino, se veste toda produzida. Papai não suporta ela, acha que é má influência e não gosta nem que ela vá lá em casa. Ninguém se atreve a fazer bagunça naquele lar.

"Amanhã", respondi. O resto da noite foi leve e até divertido. Meus pais passaram o tempo inteiro falando comigo, dando conselhos.

.

No outro dia, parti pro convento, meu novo lar. Conheci a madre superiora, que avisou que eu faria meus votos já no dia seguinte. Já estava lá fazia uns dois meses e meio e, pra minha surpresa, estava sendo melhor do que imaginei. Acho que esse é o destino dos nerds, né?

"Oi, Freddie", falei no telefone. Ele é meu melhor amigo. A gente se conhece desde a escola primária e seguimos juntos até terminar o ensino médio.

"E aí, Ariel."

"Tô bem. E você?"

Ele soltou um suspiro. "Tô levando. Tava com saudade da minha melhor amiga. O que tá fazendo?"

"Nada de mais. A madre superiora disse que vou fazer meus votos amanhã. E você, tá bem?"

"Tô. Desde o baile de formatura a gente não se vê. Mas, de verdade, fico feliz que você vai virar irmã."

Sorri ao olhar meu reflexo no espelho. Meus pais nem fazem ideia de que tenho um melhor amigo homem. Se soubessem, já tinham cortado laço com ele.

"Você tá de volta da Flórida?"

"Tô. Já voltei pro país."

"Legal. Tava pensando em passar na sua casa rapidinho antes de voltar pro convento."

"Ia ser ótimo." Assenti, mesmo ele não vendo, e desliguei.

Lembrei da época antes do baile. Freddie foi o primeiro que disse que eu era bonita. Acreditei. Cheguei a gostar dele lá pelo 8º ano, mas nunca contei. Estávamos sempre juntos. Chegamos até ganhar o concurso de rei e rainha do baile. Aquela noite foi especial — a noite em que ele disse que eu era linda. Depois disso, esperei que ele dissesse que sentia algo por mim, mas ele falou que gostava mesmo era da Aida, a garota mais popular da escola.

Eu odiava ela. Desde sempre. Era uma peste, me diminuía o tempo todo, zoava meu jeito, minha aparência, tudo. E quando soube que Freddie gostava dela, passei a odiá-la ainda mais. Chorei muito naquele dia, no banheiro da escola. Roguei mil pragas. Ela tinha roubado o que eu queria. Acabaram namorando e ele parecia tão feliz. Nunca o vi daquele jeito.

Segui em frente. Olhei no espelho e decidi tomar de volta o que era meu. Foi ali que entendi que eu devia seguir outro caminho — ser irmã, não me revoltar porque ele não sentia o mesmo. Um tempo depois, Aida terminou com ele por causa de outro garoto da escola.

"Ariel..." Freddie sorriu e me abraçou assim que cheguei na casa dele. Eu só tinha estado ali uma vez, e desde então, tudo parecia parado.

"Olha só você, Freddie. Faz quanto tempo mesmo?"

"Um ano." Ri levemente.

"Pode sentar", ele ofereceu. Assenti e sentei no sofá.

"Quer que eu busque algo pra você?"

"Talvez uma água."

"Já volto." Olhei ele sumindo num canto que parecia ser a cozinha. Meus olhos correram pela sala, TV, móveis... Ah, vale lembrar: os pais do Freddie eram bem de vida.

"Aqui está", ele disse, me entregando um copo d'água.

"Obrigada", falei, bebendo com cuidado.

"De nada. E aí, como você tá? Tá mais bonita, Ariel. Machuca um pouco saber que agora é do convento."

"Sério? Mas é o que eu sempre quis", retruquei firme.

"Mesmo? Lembro que no ensino médio você falava em fazer faculdade, psicologia ou administração."

"Ah..." revirei os olhos e encarei ele, sem paciência. Onde ele quer chegar? Cada um faz suas escolhas.

"Você tá bem, Freddie?", perguntei, deixando o copo na mesa.

"Claro que tô." Ele sorriu. "Terminou de beber?"

"Ainda não." Pisquei e tomei mais um gole. De repente, comecei a me sentir tonta. Deixei o copo e esfreguei minhas mãos suadas na roupa.

"Tá tudo certo?"

"Acho que só um pouco zonza. Mas tô bem." Mentira. Minha cabeça latejava, uma fraqueza horrível me tomou.

O sorrisinho constante dele começou a me assustar. Que que tá acontecendo comigo? Ele levantou e sentou mais perto. Tentei me afastar, mas confiei nele. Era meu melhor amigo.

"Tem certeza que tá bem, Ariel?", perguntou, colocando a mão na minha coxa.

"Freddie, para com isso..." tentei gritar, mas só consegui sussurrar.

"Não é nada demais. Só... não consigo deixar de te admirar. Queria que você parasse com essa história de freira e me deixasse te amar." O quê?! Tentei me afastar, mas não consegui. Meu corpo fraquejou. Ele colocou alguma coisa na água?

"Freddie, o que foi que você colocou na água?"

"Algo só pra te deixar fraca. Quero que me deixe te amar, Ariel." Ele sorriu, passando a mão na minha perna. Tentei empurrar, mas meu corpo não reagia.

Ele continuou. Eu implorava, mas de nada adiantava.

"Fred, para com isso. A gente é amigo desde criança. Você não pode fazer isso. Meus votos são amanhã!"

"Que se dane a igreja!", gritou, me fazendo estremecer.

"Eu te quero, Ariel. E vou te ter." A voz dele estava tomada de raiva enquanto me levantava e me beijava à força. Me debati, chorei, implorei, mas era como se ele não me conhecesse. Era outro homem ali. Puro desejo no olhar.

"Freddie, por favor." Pedi de novo. Ele bufou e me deu um tapa. Me empurrou no sofá agressivamente e passou as mãos por todo o meu corpo.

Tentei chutar, mas ele era mais forte. Arrancou minha roupa toda e fez o que queria. Fiquei ali, sem forças, chorando. Ele, meu melhor amigo, tirou minha inocência.

"Vista isso..." falou, me jogando umas roupas. Olhei pra ele em choque, chorando. Agia como se nada tivesse acontecido.

"Não te odeio, Ariel. Quero ser seu namorado." Ele tá doente. Devia estar internado.

Sequei as lágrimas e, sem dignidade nenhuma, levantei pra pegar o resto da roupa que ele tinha rasgado.

"Que Deus te perdoe, Freddie." Uma parte de mim queria gritar, bater nele, xingar. Mas eu não era forte. Era só aquela nerd criada à moda antiga.

"Ariel, isso nem é tão grave assim. Eu não vou te deixar. Quero ficar com você."

"Você não tá bem. Tá agindo como se fosse normal. Freddie, você roubou minha virgindade. Me estuprou. Abusou da nossa amizade. Deus vai te julgar." Meus olhos bateram no sangue no sofá.

Solucei e saí correndo de lá, direto pro carro. Me odiava por inteiro. Por que fui até ele? Porque confiei. Apertei o volante com força, chorando sem parar. Meu mundo tinha virado. Liguei o carro e fui embora, enxergando mal, mas segurando tudo até chegar perto de casa. Desci e encontrei meus pais conversando do lado de fora.

"Mãe…" chorei e despenquei no chão.

.

Pisquei várias vezes antes de abrir os olhos. Vi rostos sorrindo pra mim. Me sentei num pulo, mas alguém me segurou e me deitou de novo.

"Ariel", mamãe falou suave, acariciando meus cabelos.

"Mamãe…" e desabei no choro de novo.

"Calma, querida. Fala com a gente, o que aconteceu? Você tá dormindo desde ontem, a madre superiora tava preocupada. Hoje você devia fazer seus votos, né?"

Não acredito que fiquei o dia todo desacordada. Agora... como vou contar que fui estuprada? Por alguém que confiei? Como me verão agora que não sou mais virgem?

"Fui estuprada", falei de uma vez. O sorriso de mamãe sumiu. Papai e Leslie também ficaram pálidos.

"Estuprada?" Leslie repetiu. Eu nem conseguia contar direito. Me sentia derrotada. Um lixo.

"Ariel, quem fez isso com você?", mamãe gritou, a raiva dela parecia inundar tudo.

"Ariel, responde! Quem te estuprou?", papai perguntou, visivelmente alterado.

"Freddie."

"Quem é Freddie?"

Pois é... quem é Freddie?

"Meu melhor amigo. Desde o colégio..."

"O quê?! Você manteve amizade com um menino esse tempo todo e a gente nem sabia?"

"E como vamos saber se ele não era seu namorado? Seu namorado escondido, é isso?", papai me atacou com o olhar.

"Pai, não... não é bem assim…"

"Não é assim o quê? Você fugiu do convento pra ver seu namorado, transaram e agora vem com essa história. Que tipo de filha é você? Por que não é como a Leslie?", ele disparou.

Não podia crer no que escutava. Sempre me comparavam. Leslie, a boa menina. A preferida da casa. Lembro que só quando falei que queria ser freira é que me trataram como algo especial. E agora, me acusam, mesmo depois de contar a verdade?

"Você é uma vergonha, Ariel. Sempre foi. Me arrependo de ter você como filha. Explique pra igreja como foi estuprada na véspera dos seus votos", mamãe disse com nojo.

"Que Deus tenha piedade de você, sua... sua vadia!", papai cuspiu. O quê?

"Pai..."

"Cala a boca. Nunca mais me chame de pai."

Foi isso. Vi os dois saírem do quarto me olhando com desprezo. Me odiei. Mas odiei ainda mais o Freddie. Ele destruiu tudo. Mas tentei controlar o caos dentro de mim. Fiquei em frente ao padre, mas não consegui falar nada. Ninguém entendeu minha história. Saí do convento pra visitar meu melhor amigo e fui estuprada.

"Você precisa deixar o convento, Ariel. Cometeu fornicação e ainda mentiu. Está expulsa. Que Deus tenha piedade…"

"Saia…"