Cidade de Changning.
Em um ônibus urbano, Ethan Everett olhava pela janela, perdido em seus pensamentos.
Treze anos. Ele finalmente estava de volta.
Ethan cresceu em um orfanato. Uma noite, treze anos atrás, um incêndio começou. Ele tinha apenas oito anos na época e desmaiou em meio às chamas.
Mas o destino tinha outros planos. Ele acordou em um lugar completamente diferente, com apenas um velho ao seu lado.
A partir daquele dia, o velho se tornou tudo para ele—seu guardião, seu professor.
Aos dezoito anos, Ethan completou seu treinamento. O velho organizou uma cerimônia simples e partiu sem aviso, deixando apenas uma carta.
"Quando você estiver acima do mundo," dizia, "nos encontraremos novamente."
Por causa dessa promessa, Ethan passou os três anos seguintes viajando pelo mundo, derrotando guerreiros de elite de todos os países, abalando o mundo profundamente.
Ele se tornou uma lenda viva.
E não só isso—ele construiu sua própria potência: o Templo dos Céus.
Essa organização se espalhou pelo mundo, com uma influência tão poderosa que até mesmo as maiores facções do mundo sentiam-se esmagadas sob seu peso. As pessoas diziam, "Onde o Senhor dos Céus pisa, todos os outros poderes desmoronam."
Ethan esperou três meses no Templo dos Céus por seu mestre. O velho nunca apareceu.
Desapontado, ele decidiu voltar—para Changning. "Velho, você me enganou, não é? Quem sabe se eu algum dia verei você de novo. É melhor não ter partido dessa para uma melhor em algum lugar sem ninguém para te oferecer uma despedida digna."
Ethan Everett soltou um pequeno suspiro e curvou os lábios em leve irritação.
Aquele "velho" era seu mestre.
Dizem que quando alguém se torna seu professor, é como se fizesse parte da sua família para sempre.
Aos olhos de Ethan, o velhinho era mais como um avô.
Sacudindo seus pensamentos, ele alcançou dentro de seu casaco e puxou uma foto desbotada. Oito rostos sorridentes olhavam para ele—seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso enquanto ele gentilmente passava os dedos sobre a foto.
De volta ao orfanato, ele sempre foi o garoto fraco, alvo das provocações. Mas todas as vezes, aquelas sete meninas apareciam, defendiam-no e ficavam ao seu lado como se não fosse nada.
Eventualmente, ele começou a chamá-las de suas irmãs.
E ele fez uma promessa a si mesmo—cuidar delas quando crescesse.
Agora ele estava de volta para cumprir aquela promessa.
"Ah—!"
De repente, um grito suave cortou seus pensamentos.
Ele se virou na direção do som.
Mais à frente no corredor do ônibus, dois caras desprezíveis estavam cercando uma jovem, praticamente aprisionando-a. Atrás deles estava um sujeito mais velho, com cara de tarado, se comportando de forma inadequada.
A audácia disso deixou Ethan furioso imediatamente.
O que piorou ainda mais? Ninguém no ônibus estava fazendo nada. Todos simplesmente permaneciam sentados, preferindo ignorar como se não fosse problema deles.
"Estão se divertindo, é?"
Ethan deu um passo à frente, parando bem ao lado do sujeito desagradável. "Ahh, é bom sentir—hein?" No momento em que o homem desprezível se virou, Ethan Everett o agarrou e o lançou longe como se fosse uma boneca de pano. Ele caiu no chão com força. "Chefe!" Os dois capangas correram para ajudar. Gemeando de dor, o homem se levantou, o rosto distorcido de fúria. Ele apontou para Ethan, gritando: "Seu intrometido! Tá querendo morrer ou o quê?" "Três homens feitos assediando uma garota. Vocês têm certeza de que se consideram homens de verdade?" "Que piada! Que prova você tem de que eu estava assediando ela?" "Ainda vai bancar o idiota, né?" "Ei, cuidado com o que fala. Tem prova? Pergunta pra qualquer um aqui se eu encostei nela." O homem lançou um olhar ameaçador para os passageiros. A multidão desviou o olhar, claramente com medo. Então, relutantemente, alguns falaram. "Desculpa, eu não vi nada." "Não estava prestando atenção." "Mesma coisa aqui. Pode ter sido um mal-entendido..." O homem sorriu, esfregando as mãos. "Tá vendo? O pessoal tá do meu lado. Já você, agrediu alguém. Agora, desembolsa três mil ou a gente deixa a polícia resolver." O rosto de Ethan ficou frio, os olhos cheios de uma raiva contida.
Ele olhou para a garota. "Senhorita, nos conte o que realmente aconteceu."
"Hum... Eu..."
A voz dela tremia enquanto olhava para os sapatos, com medo demais para falar.
O homem se encheu de arrogância. "Três mil, e eu deixo isso passar. Ou todos nós vamos para a delegacia — e você vai encarar uma multa e tempo na prisão." "Tsk tsk, isso está ficando interessante."
"O que você quer?!"
Vendo Ethan Everett se aproximar, o sujeito nojento de repente sentiu um arrepio na espinha. Tentando soar corajoso, embora sua voz estivesse trêmula, ele gritou: "Não se meta, cara! Vivemos em uma sociedade de leis —"
"Ah, é? Então você *conhece* a lei?"
Nesse momento, o ônibus chegou a uma parada e as portas se abriram.
Sem pensar duas vezes, Ethan mandou os três para fora do ônibus como se estivesse jogando lixo fora. Eles caíram no chão, gemendo e agarrando suas virilhas de dor.
O motorista, esperto como ele só, fechou a porta rapidamente e partiu antes que mais drama pudesse acontecer.
O sujeito nojento tentou correr atrás do ônibus, mas nem conseguia levantar-se. Deitado no chão, gritou de frustração.
"Meu chefe é o Irmão Xiong! Esta área toda é domínio dele... ah—Você está morto, moleque! Só espere! Eu vou te encontrar e vou esmagar seu—ahhh!"
Ethan nem sequer se importou com as ameaças.
Ele era o mestre do poderoso Salão do Supremo. Figuras de alto nível do mundo todo se curvavam para ele. E esse perdedor? Nem valia o tempo dele.
*Ding-dong.*
Logo, o ônibus chegou ao ponto de Ethan.
Ele desceu.



