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A Herdeira do Interior Exposta Mais Uma Vez

A Herdeira do Interior Exposta Mais Uma Vez

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Bilionário

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Introduction

A herdeira há muito desaparecida da família Bennett, Evelyn Bennett, finalmente foi encontrada. No seu primeiro dia de volta, Fiona Bennett, a filha adotiva da família, acabou tendo o azar de cair na água sem querer. No começo, todos descartaram Evelyn como uma caipira grosseira, ignorante e invejosa, indigna da alta sociedade. Mas, aos poucos, as pessoas começaram a perceber que havia algo errado nessa história. “Mestre da caligrafia e da pintura?” “Médica milagrosa?” “Lenda das corridas clandestinas?” “Hacker de elite?” “Herdeira de artes marciais antigas?” A multidão ficou atônita: “Essa garota só pode estar trapaceando!” E não parava por aí. Até mesmo Zach Maxwell, o infame Nono Mestre do submundo, demonstrava repetidamente um interesse nada casual pela herdeira recém‑retornada dos Bennett. Evelyn Bennett só conseguia suspirar, sem saber o que fazer: “Eu sou só uma pessoa comum. Não entendo nada disso, e muito menos aceito...”
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Chapter 1

"Você acha que só porque a mamãe e o papai trouxeram você de volta agora, pode simplesmente tomar o meu lugar?"

"Continua sonhando!"

Fiona rosnou por entre os dentes cerrados, os olhos queimando de hostilidade. E antes que pudesse dizer outra palavra, tropeçou para trás e caiu dentro do lago. A gola de pele do vestido se abriu na água na mesma hora, levantando um borrifo que brilhou sob a luz fria do sol.

"Socorro! Alguém me ajuda!" Ela se debateu e gritou, completamente descontrolada.

Parada bem na beirada, Evelyn observou Fiona afundar e espirrar, o rosto impassível. Sua bochecha direita estufava levemente — ela estava mastigando alguma coisa.

A pele dela tinha um tom dourado de sol, sinal de anos vividos sob a luz do campo. Usava um moletom por baixo de uma jaqueta fina, e uma das mãos ainda brincava com o papel de bala que refletia pequenos arco-íris ao sol.

Hoje marcava o retorno de Evelyn à família Bennett depois de ter desaparecido por dezesseis anos. Arthur Bennett tinha convidado todos os parentes possíveis para a comemoração na mansão — tios, tias, primos, todo mundo.

Evelyn era o centro daquela festa.

Mas o barulho da água e os gritos de Fiona roubaram toda a atenção em segundos.

"Meu Deus! A Fiona caiu!"

"Alguém ajuda! Está congelando! Ela vai ficar doente nessa água!"

"Rápido, rápido! Chamem alguém!"

Lillian Dodgson chegou primeiro. Ex-campeã de mergulho, não hesitou nem por um instante. Ignorou o frio, mergulhou direto e tirou Fiona de lá na frente de todo mundo.

Encharcadas, as duas subiram de volta, a água pingando das roupas e dos cabelos.

Fiona se apoiou nos braços de Lillian, parecendo completamente arrasada. Os olhos tremiam cheios de lágrimas, fixos em Evelyn, que ainda mexia no papel de bala.

"Você é a filha verdadeira deles… e eu sei que sou só a adotada. Eu nunca tentaria tirar o amor deles de você. Então por que…" Ela soluçou, "por que você queria que eu morresse?"

Os lábios tremiam, os ombros batiam de frio, mas ela ficou ali, encarando Evelyn como se implorasse por respostas.

Lillian ergueu a cabeça de repente, o olhar afiado como uma lâmina e apontado direto para Evelyn.

"Evelyn, eu realmente não consigo acreditar que você faria uma coisa dessas…" A voz dela saiu baixa, decepcionada.

Os parentes ao redor olharam todos ao mesmo tempo. Olhares estranhos, expressões confusas. Queriam dizer algo, mas engoliram as palavras ao ver a expressão dura de Lillian.

"Lillian, você e a Fiona estão encharcadas. Vão tomar um banho quente e trocar de roupa antes que fiquem doentes."

"É, não fiquem aí paradas, vocês vão se resfriar. Subam, as duas!"

O tempo todo, Evelyn continuou imóvel, sem dizer nada. O papel de bala deslizava entre seus dedos.

Quando o grupo finalmente levou Lillian e Fiona para dentro, murmúrios suaves começaram a se espalhar atrás de Evelyn.

"Lembra quando a velha largou a Evelyn na neve no dia em que nasceu? Fria como gelo, deixou a menina lá. Por sorte alguém encontrou. Mas olha só… virou esse gênio ruim, todo aquele esforço de criação pra nada."

"Sorte? Ah, qual nada! Eu digo que nem deveriam ter trazido ela de volta. Criada por um caipira no meio do nada, e olha no que deu. Teria poupado trabalho pra todo mundo se tivesse congelado naquele dia."

"Bem feito pra velha, sentindo culpa tarde demais. Insistiu em ver a neta verdadeira antes de morrer. E o que ganhou? Esse caos."

"Pois é, mesmo sendo adotada, a Fiona sempre teve a melhor educação. Ela faz tudo — música, caligrafia, pintura — tudo impecável, bem melhor do que essa filha biológica aí."

A conversa não parava. Evelyn mastigou o último pedaço da bala, ignorou completamente as mulheres fofoqueiras e subiu as escadas.

Lillian Dodgson tinha acabado de trocar de roupa e estava saindo do quarto. Ela fora mergulhadora antes de ter problemas de saúde depois do parto de Evelyn. Agora, mais velha e sem a mesma resistência, enrolou um xale nos ombros enquanto tossia.

Arthur Bennett estava ao lado dela, dando tapinhas leves em suas costas e oferecendo uma xícara de chá de gengibre.

"Beba seu chá."

"Onde está a Fiona? Ela também deveria tomar um pouco", disse Lillian enquanto dava um gole — então viu Evelyn entrando e de repente começou a tossir ainda mais forte.

Lillian tinha a pele muito clara, quase como porcelana. Arthur era alguns tons mais escuro, mas ainda assim claro. Com Evelyn entre os dois, ela parecia bem mais morena, quase deslocada.

"Mãe, eu não empurrei a Fiona na água." Evelyn deu um passo à frente e finalmente falou, sem se preocupar com formalidades — foi direto se defender.

Arthur apertou os lábios, como se quisesse dizer algo, mas acabou focando na esposa tossindo, franzindo a testa de preocupação.

"Então você está dizendo que ela pulou sozinha?" retrucou Lillian.

Evelyn assentiu. Na mesma hora, a tosse de Lillian virou um ataque ainda mais violento.

"Saia! Vai embora! Volte praquela vila atrasada de onde você veio. Eu não tenho uma filha como você!"

Os olhos de Evelyn brilharam. "Então eu posso ir agora?"

Aquele tom! Como se ela mal pudesse esperar pra arrumar as coisas e sumir.

Lillian engasgou nas próprias palavras e começou a chorar. "Que tipo de filha amaldiçoada eu fui dar à luz, hein? Buááá..."

"A gente tirou ela daquele interior pobre e atrasado por pura bondade! Tentamos deixar que ela encontrasse suas raízes — mas não, ela nem quis largar o sobrenome da família adotiva! E agora vem com essa atitude? Uma ingrata sem coração!"

O rosto de Evelyn deu uma leve contraída. Ela abriu um doce sem pensar, amassou o papel até virar uma bolinha e enfiou no bolso. Seu humor estava complicado — principalmente irritado.

Arthur finalmente suspirou, o olhar severo ao se virar para Evelyn. "Evelyn Bennett, ela carregou você por dez meses na barriga. É assim que você acha que deve tratar sua mãe?"

"Eu sei que não estivemos presentes nesses últimos dezesseis anos, mas isso significa que você precisa agir desse jeito? Sua irmã não fez nada. Não pode facilitar um pouco pra todos nós?"

Evelyn assentiu como uma criança obediente. Mas antes que Arthur pudesse respirar aliviado, ela perguntou de novo:

"Então… eu posso ir agora?"

Arthur quase engasgou com o próprio ar, lançando-lhe um olhar furioso.

Desde que voltou, Evelyn deixava claro que detestava a casa luxuosa em Jingdu. Falava de voltar para o interior dia sim, dia não. Mesmo quando organizaram a mudança do registro dela, ela ficou com cara de poucos amigos o tempo todo.

E agora isso — sim, ela não estava pedindo para sair do quarto. Estava pedindo para voltar direto praquela vila.

Por mais que testasse a paciência dele, ela ainda era sua própria filha. Não importava o quanto agisse de forma teimosa ou fria, ele jamais poderia simplesmente mandá-la de volta para viver daquele jeito.

"Seus pais adotivos já têm trabalho demais cuidando da fazenda, criando os animais e tentando casar seus irmãos. Quem é que vai cuidar de você? Para de querer fugir — nós somos seus pais de verdade!"