“Tem meio milhão aqui. Deixe meu filho em paz.”
A mulher era a personificação da alta sociedade, com os olhos transparecendo puro desprezo. Ela puxou um cartão da bolsa e jogou-o sobre a mesa com um estalido, em seguida tomou um gole de café bem devagar, irradiando uma confiança presunçosa.
Como se já tivesse vencido.
Afinal, Lia Grant estava envolvida em um escândalo feio, acusada por toda a internet de ser a amante. Sua imagem pública estava arruinada, e parecia que sua carreira tinha chegado ao fim. Conseguir tanto dinheiro assim de novo? Provavelmente impossível.
Lia ficou em silêncio, o que levou a mulher a zombar, “Evan não se importa com você faz tempo. Não se faça de boba—saia do caminho e deixe que ele e Sarah sejam felizes.”
O que ela não sabia era que—havia uma alma completamente diferente dentro daquele corpo agora.
Ou melhor... um espírito.
E esse espírito não estava nem um pouco afim de ser comprado com um cartãzinho qualquer.
Lia finalmente falou, “Eu quero ouro. Quinhentos mil taéis dele.”
Para ela, só o ouro era riqueza de verdade. Aquele cartão? Completamente inútil—nem ouro, nem prata.
“...O quê?” Os olhos da mulher se arregalaram, como se ela tivesse acabado de ouvir a coisa mais absurda do mundo. Então, ela se levantou de um salto, apontou zangada para a pessoa em frente dela e esbravejou, “Que movimento ganancioso! Você acha que só porque está agarrada ao Evan, vai se tornar alguém importante?”
"Importante? Por favor. Seu filho é alguma espécie de realeza? Se vai jogar dinheiro para mim, ao menos que valha a pena. Mas olha, se for ouro que vai lançar, então fica à vontade—vai fundo.”
Lia, sendo um espírito por cem anos, sabia que mesmo no submundo, você tinha que queimar lingotes de ouro, não dinheiro.
Depois de dizer isso, ela imitou os gestos exagerados da mulher, ergueu um delicado dedo e tomou um gole da xícara à sua frente.
Grande erro.
Como fantasma, ela nunca tinha experimentado café antes. A amargura foi um choque e ela imediatamente cuspiu tudo.
"Sério? Fazendo pose e não tem coragem de oferecer um chá decente? E ainda tem a ousadia de servir essa porcaria pras pessoas?”
Ela pensou que fosse só um tipo particularmente ruim de chá. Café não existia no seu mundo fantasmagórico.
A mulher ficou claramente surpreendida. Essa não era a Lia tímida e submissa que ela conhecia. Agora, Lia tinha uma língua afiada e estava feroz, totalmente diferente.
Muito atônita para argumentar, a mulher pegou a bolsa e saiu furiosa, chamando enquanto ia embora. “Evan, aquela garota Lia perdeu a cabeça, ela—”
Enquanto isso, Lia a observava com crescente confusão. Será que essa mulher estava bem? Andando por aí falando com um tijolo? Que tipo de mundo bizarro era esse em que ela havia caído? Tudo era esquisito além das palavras. Ela só se esgueirou até o Salão do Submundo, e bum—um livro caiu na sua cabeça. Na próxima coisa que soube, havia parado nesse mundo moderno totalmente absurdo.
Como se ser um fantasma teimoso que se recusava a reencarnar não fosse o bastante, agora ela estava presa em um corpo humano. Sério, poderia ficar pior?
A vida é dura, ainda mais quando você é um fantasma... grande suspiro.
Ela tinha certeza que aquele Hades trapaceiro tinha aprontado alguma para jogá-la ali!
Enquanto o amaldiçoava mentalmente pela décima milésima vez, um toque de chamada soou da sua bolsa, interrompendo sua reclamação interna.
Ela tateou até perceber que era aquele “tijolo” preto que fazia todo o barulho. E lá, bem na tela, estava escrito “Evan”.
Ela nunca havia usado algo assim antes. Aquele barulho irritante estava deixando-a louca, então começou a apertar ao acaso, na esperança de que parasse — mas nada.
Ainda assim, ela não era burra. Sua cabeça funcionava muito bem. Aquele grande círculo vermelho era difícil de não ver. Ela tocou nele com seu dedo indicador - e aleluia - o toque parou. Mas logo começou de novo. Implacável, como se tivesse uma vingança. Ela apertou aquele círculo vermelho novamente, desta vez murmurando baixinho, "Esse tijolo definitivamente criou vida própria... Está gritando como se estivesse procurando um parceiro ou algo assim."
Quer dizer, ela ouviu de alguns amigos fantasmas que, quando os animais estavam procurando por um parceiro, faziam todo tipo de ruído. Este tijolo agindo todo maluco claramente não era tão diferente... Talvez estivesse apaixonado por outro tijolo que alguém por aí estivesse segurando agora? De jeito nenhum, aquela mulher parecia suspeita a quilômetros de distância.
Ela deu um tapa no "tijolo preto" em sua mão e disse seriamente: "Não, esse aqui não serve. Escolha outro."
Do outro lado da ligação, Evan Cooper estava fervendo. Ele olhou para seu telefone que estava sendo continuamente desligado, então jogou-o no sofá. "Ótimo. Muito bom. Fazendo jogo duro agora, né? Lia Grant, nem pense em implorar pra mim depois!"
Lia costumava estar totalmente atrás dele - atendendo ligações em segundos, sempre disponível. Não importava se ela estava em algum evento, ela atendia imediatamente sempre que Evan chamava. Foi assim que começaram os rumores de que ela era pouco profissional e agia como uma diva no set.
Enquanto isso, Lia Grant estava numa loja de artigos para funerais. Sim, daquele tipo que vende coisas para os mortos. Ela estava envolvida como um zongzi, com apenas os olhos à mostra. Não porque temia ser reconhecida - não, ela apenas não conseguia lidar com o sol escaldante lá fora. Ela escolheu uma urna esculpida e dirigiu-se ao proprietário da loja. "Quero que seja dourada e pode adicionar uns pequenos lingotes de ouro na borda? Ah, e também..."
Ela continuou e continuou, listando tudo o que queria até finalmente terminar de uma só vez. O dono da loja era um homem de meia-idade rechonchudo e, sinceramente, nunca tinha encontrado um cliente tão exigente - especialmente um escolhendo coisas para o além. Ainda assim, negócios são negócios. Tentando conter sua curiosidade, ele perguntou: "Para quem é isso, afinal?"
Lia apontou para si mesma casualmente. "Eu. Você pode fazer isso?"
Ela estava ficando um pouco impaciente. Queria que a urna estivesse pronta logo para poder voltar de onde veio.
Dinheiro fala, então o cara assentiu. "Claro, mas um trabalho personalizado custa mais, e vai levar cerca de uma semana, talvez mais. Tá bom assim?"
Afinal, não dá pra apressar funerais — tem que conferir tudo direitinho.
"Uma semana?" Lia franziu a testa, depois suspirou. Parece que morrer teria que ser adiado. Ela assentiu silenciosamente e se virou para procurar mais coisas.
Nesse momento, entraram mais dois homens.
Um deles era alto e estava coberto dos pés à cabeça, meio que como a Lia, mas o estilo era totalmente diferente.
O cara usava uma máscara facial, óculos escuros grandes e um chapéu, nada de especial — mas tinha algo nele que exalava classe.
Já a Lia, tinha deixado de lado o combo máscara e óculos. Em vez disso, enrolou um lenço chamativo na cabeça, parecendo que saiu direto de um filme retrô dos anos 80.
Curiosamente, o cara também estava olhando urnas. O homem vestido de forma comum deu uma olhada para Lia Grant, franziu a testa e se inclinou para o outro homem com máscara, sussurrando, "Acha que aquela pessoa é algum paparazzo ou algo assim."
Ele gesticulou discretamente na direção de Lia.
Mas o homem mal deu uma olhada nela antes de voltar sua atenção para outra coisa, completamente desinteressado.
O dono da loja olhava de um para o outro, coçando a cabeça. Desde quando as pessoas começaram a se vestir assim para comprar artigos fúnebres?
"Quero uma casa grande," disse Lia seriamente. "Três pátios, tem que ter um lago de peixes e um jardim. Sótão seria um plus."
Ela estava, claro, falando das casas que são queimadas como oferendas.
A mão do dono congelou no ar, então ele exalou lentamente com um suspiro que dizia tudo: ganhar dinheiro não é fácil, e pedidos estranhos são ainda mais difíceis de engolir.
O homem vestido normalmente ao lado soltou uma risada, claramente divertido com o pedido extravagante.
Por outro lado, Lia não deu a mínima atenção para eles. Totalmente tranquila.
Felizmente, os dois homens não ficaram por muito tempo. Pegaram um item pequeno e limpo, pagaram e foram embora. Tudo em menos de dois minutos.



