NovelCat

Vamos ler

Abrir APP
A Lua e Seu Segredo

A Lua e Seu Segredo

Atualizando

Lobisomem/Vampiro

A Lua e Seu Segredo PDF Free Download

Introdução

Lana Danley leva uma vida tranquila na pequena cidade de Rosecliff, onde está no último ano do ensino médio. A rotina monótona do dia a dia pesa sobre ela, e tudo o que faz é sonhar com o momento em que vai se formar e se mudar para a cidade grande. Numa noite, durante seu turno como guarda florestal meio período, ela encontra um lobo incomumente grande e ferido. Decidindo ajudá‑lo, leva o animal para casa para cuidar de seus ferimentos. Mais tarde, quando volta para ver como o lobo está, encontra em seu lugar seu colega de classe, River Attwood, nu e lançando olhares de puro ódio para ela. Logo, Lana é arrastada para os mistérios de Rosecliff e para o envolvimento da cidade com as criaturas da noite que governam a floresta: os lobisomens.
Mostrar▼

Chapter 1

Um sonho recorrente costuma assombrar Lana nas noites de lua cheia. Um sonho vívido, quase surreal, em que ela está parada no meio de uma floresta escura e enigmática. A lua está alta, e seu tom prateado ilumina a pele de Lana. Milhões de estrelas enfeitam o céu noturno, parecendo lágrimas cintilantes ao redor da lua.

Lana se sente atraída por ela, os olhos presos no orbe celestial, com medo de piscar e vê-la desaparecer atrás das nuvens escuras que se aproximam. Ela consegue ouvi-la chamando por ela, uma voz etérea que fica mais alta quanto mais tempo ela encara a lua.

Quando Lana estende a mão em direção à lua, sente o corpo despencar para trás. Água gelada a envolve, sufocando-a enquanto afunda cada vez mais na parte mais escura do rio. Ela permite que a água a engula por completo, encontrando paz no silêncio ensurdecedor que se segue. Quanto mais profundo afunda, mais tranquila se sente, como se todos os seus medos e preocupações tivessem sido levados pela água fria que entorpecia seu corpo.

Depois de um instante, percebe algo se aproximando. Uma criatura parecida com um lobo surge diante dela, seus olhos azul‑gelo fitando profundamente os dela, e sem aviso algum, ele avança em sua direção.

Uma batida na porta faz Lana despertar sobressaltada. O ar escapa de seus pulmões como se ela realmente estivesse se afogando. Ela se senta rapidamente na cama, tentando se acalmar enquanto repete para si mesma que era só um sonho. Um sonho incrivelmente persistente e irritante, que a atormentou por toda a vida. Ela respira fundo algumas vezes antes de olhar para o relógio em sua mesa de cabeceira. Quase seis da tarde.

“Lana?” uma voz chama do outro lado da porta.

“P‑Pode entrar!” Lana avisa, a voz pesada de sono. Ela pigarreia e belisca as próprias bochechas para despertar de vez.

A porta se abre devagar, revelando um olhar familiar e preocupado. “Você está bem?” Ray pergunta, hesitante.

Lana lhe oferece um sorriso fraco. “Só um sonho estranho.” ela suspira.

Ray caminha até a cama e se senta à beirada. Coloca a mão no ombro dela em um gesto tranquilizador e lhe dá um sorriso simpático. “Quer conversar sobre isso?” ele pergunta.

Lana balança a cabeça enquanto pousa a própria mão sobre a dele. “Já estou bem!” ela sorri. “Você terminou o trabalho?”

“Sim, eu tenho que voltar mais tarde, mas prometi que hoje iria visitar seus pais com você.” Ray diz ao se levantar. “Ainda topa?”

“Claro que sim,” Lana responde, forçando-se a ignorar o peso sufocante em seu peito.

*

Lana observava a expressão de Ray enquanto ele falava animado sobre o novo episódio do drama de TV que ele acompanhava religiosamente. Mesmo depois de dez anos morando com ele, ela nunca se cansava do jeito que os olhos castanhos de Ray pareciam brilhar como âmbar polido sob a luz do sol. Sua pele escura parecia emitir um brilho tão bonito que o fazia parecer uma criatura de outro mundo. Lana franziu a testa diante da injustiça de um homem de quase quarenta anos ter uma pele tão perfeita.

“Você tá fazendo aquilo de novo.” Ray comenta, com os olhos fixos na estrada e o indicador batendo ritmicamente no volante.

“O que você quer dizer?” Lana pergunta, com inocência.

“Ficando me encarando.”

“Hm? Tá dizendo que eu não posso olhar pro meu adorável guardião?” ela provoca.

Ray faz uma careta. “Você só é assim tão boazinha comigo quando quer alguma coisa.” ele suspira.

Lana solta uma risadinha. “Por favor, eu sou sempre boazinha com você.” ela diz, voltando a atenção para o buquê de camélias cor‑de‑rosa em seu colo.

“Vai ser lua cheia hoje à noite,” Ray comenta de repente.

Lana instintivamente olha pela janela. O sol estava se pondo, mas ela já conseguia ver nuvens escuras se aproximando. “Pra mim tá com cara de chuva.” ela comenta.

A menção da lua cheia traz de volta as lembranças do sonho. Lana nunca entendeu o significado dele. Tentou conversar sobre isso com as amigas, mas elas sempre davam de ombros, dizendo que era porque Lana tinha nascido durante a lua cheia.

“Vamos torcer para que não seja isso.”

“Ray, você foi guarda florestal a vida inteira, certo?”

“Uhum”, Ray confirmou com um aceno.

“Você já encontrou algum lobo na floresta?”

Seguiu-se um silêncio depois que Lana fez a pergunta. Ela lançou um olhar para Ray, que nem tentou esconder o profundo cenho franzido.

“Por que a pergunta?”, Ray finalmente falou.

Depois de muitos anos vivendo com Ray, ela sabia que seu guardião tinha um defeito — ele simplesmente não sabia mentir. Seu sinal era fácil de perceber: ele desviava da pergunta original na tentativa de mudar de assunto.

"Esquece," ela disse quando eles entraram na vaga do cemitério.

Os dois caminharam em silêncio enquanto se aproximavam das lápides dos pais de Lana. Lana ficou grata ao ver que as lápides já estavam limpas e que vários buquês coloridos enfeitavam a área ao redor.

"Parece que o pessoal já prestou suas homenagens." Ray comentou enquanto se ajoelhava diante das lápides para colocar seu próprio buquê.

Naquele pequeno vilarejo de Rosecliff, todo mundo conhecia todo mundo. Seus pais eram muito queridos pelos moradores e, de certa forma, Lana sempre sentiu inveja de quem tinha lembranças boas deles. Eles morreram quando ela era pequena e tudo que Lana conseguia lembrar eram os rostos deles pelas fotos que Ray mantinha pela casa.

"Ray, você sente falta deles?" Lana perguntou de repente, apertando o buquê de camélias cor-de-rosa nas mãos.

"Que pergunta é essa?" Ray soltou uma risada suave. "Seu pai e eu éramos melhores amigos, quase como irmãos. Os dois eram praticamente família pra mim. Não passa um dia sem que eu sinta falta deles." Havia um brilho nos olhos de Ray. Ele fechou os olhos e fez uma oração silenciosa.

Lana permaneceu em silêncio, sem querer interrompê‑lo. Um turbilhão estranho de emoções passava por dentro dela. Sentia culpa por não compartilhar o mesmo sentimento que Ray. Sentia raiva por nunca ter tido a chance de conviver com eles antes de morrerem. Mas, acima de tudo, sentia uma solidão esmagadora.

Lana ergueu o olhar; o sol já tinha sumido completamente enquanto o céu alaranjado escurecia aos poucos. Ela conseguia ver o contorno da lua entre as nuvens escuras que passavam. Bufou. Só de olhar para a lua, Lana já sentia aquela mistura de raiva e ansiedade crescendo dentro dela.

"Lana?" Ray a chamou. "Aconteceu alguma coisa?"

Lana sorriu. "Nada. Só estava pensando."

Ray se levantou e se aproximou dela. "Hum, vou te deixar um tempo sozinha com eles, tá?"

"Obrigada, Ray." Lana disse ao passar por ele e se ajoelhar diante das lápides. Ela colocou suas flores entre os outros buquês. Ouviu os passos de Ray ficando cada vez mais distantes até que ficou completamente sozinha no cemitério. "Eu..." murmurou Lana. As palavras simplesmente sumiram de sua língua. Ela soltou um suspiro derrotado, reconhecendo que, mesmo depois de todos aqueles anos, nunca soube o que dizer a eles — e só esse fato já a corroía por dentro.