"Às 0h30 do horário de Kyoto, um avião com destino a Bincheng sofreu um trágico acidente ao aterrissar. O número de mortes subiu para 136, com apenas três sobreviventes."
A notícia transmitida na grande tela do hospital puxou Lydia Grace de volta à realidade.
Como uma das sobreviventes, ela estava deitada na cama da UTI, com as pernas enfaixadas e o corpo marcado por ferimentos.
Sua mão segurava o celular com força, enquanto uma resposta robótica repetia incessantemente: "O número que você discou está temporariamente indisponível. Por favor, tente novamente mais tarde."
Desde o acidente, seu marido no papel, Harrison James, não havia atendido a nenhuma de suas ligações.
Um acontecimento tão catastrófico – era impossível que ele não tivesse ouvido falar sobre isso.
O medo de quase ter morrido, cercada por destroços e corpos sem vida no local do acidente, ainda a sufocava, tirando-lhe o ar.
E, mesmo assim, o homem com quem se casou há três anos estava ausente no momento em que ela mais precisava dele.
Um frio percorreu o coração de Lydia. Depois de um longo tempo, o toque agudo de seu celular a tirou de seus pensamentos. Rapidamente, ela atendeu, mas o brilho em seus olhos foi se apagando pouco a pouco ao ver a palavra "Vovó" piscando na tela.
“Oi…” ela respondeu, a voz rouca.
Uma voz preocupada e idosa veio imediatamente do outro lado da linha. “Lydia, você quase matou essa velha de susto! Como você está? O Harrison foi ficar com você?”
Era Nancy James, a avó de Harrison – a única pessoa na enorme família James que realmente se importava com ela.
“Ele…” Lydia hesitou, e aquele breve silêncio foi o suficiente para que Nancy percebesse a verdade.
“Aquele ingrato! Você é tanto a secretária quanto a esposa dele, você foi pro exterior a trabalho pra ele e, agora, quando você tá em apuros, ele some? Não se preocupe, não vou deixar isso barato!”
Nancy acrescentou: “Em que hospital você está? Vou mandar o motorista te buscar imediatamente!”
Após Lydia informar o endereço, a ligação terminou logo em seguida.
Ela abaixou a cabeça e começou a retirar a agulha do soro do braço, suportando a dor enquanto se levantava da cama.
“O que você está fazendo? Sua perna ainda não está curada. Você precisa descansar.”
A enfermeira que fazia a ronda tentou impedir Lydia, mas foi inútil.
“Traga-me duas muletas. Quero receber alta.”
O tom dela era firme, deixando claro que não haveria discussão.
Comparado ao hospital, a antiga residência da família James era um lugar melhor para se recuperar.
Além disso, ela não era uma pessoa qualquer—trabalhava como secretária de Harrison James, o CEO do Grupo James. Sua viagem a Dubai tinha como objetivo finalizar os preparativos e organizar a equipe para uma exposição médica em nome da empresa. O relatório precisava ser entregue imediatamente.
Mas, ainda mais importante que tudo isso, ela precisava descobrir o que Harrison estava fazendo e onde tinha estado.
A enfermeira não conseguiu argumentar por muito tempo. Alguns minutos depois, com duas muletas nas mãos, Lydia Grace saiu resoluta da UTI, mancando e se apoiando na parede para se movimentar lentamente em direção ao balcão de pagamento.
Quando chegou à fachada de vidro no saguão, algo chamou sua atenção—uma placa de carro familiar, seguida por vários veículos de luxo.
Era uma frota do Grupo James.
Algumas pessoas desceram dos carros, mas seu olhar se fixou no homem no centro. Ele estava vestindo um terno preto e segurando uma mulher nos braços. Seus gestos deixavam claro o quão cuidadoso ele era com ela; até mesmo seu casaco preto estava cobrindo as pernas dela, parcialmente expostas.
Sem hesitar, ele caminhava a passos rápidos em direção à entrada principal do hospital. Nem sequer percebeu Lydia Grace parada ali.
Ela ficou imóvel, observando à distância enquanto ele carregava aquela mulher e entrava diretamente na clínica de especialistas.
Três anos de casamento, e ela nunca o tinha visto demonstrar tamanha ternura por ninguém.
Quem era aquela mulher?
Mas, não importava quem ela fosse, uma dor indescritível estava tomando conta do peito de Lydia, espalhando-se sem piedade.
O sofrimento tornava difícil até mesmo respirar.
Pouco depois, duas enfermeiras passaram por ela no corredor do hospital, cochichando enquanto caminhavam.
"Meu Deus, é aquele cara que aparece direto nos relatórios de negócios—Harrison James, o herdeiro da James Corporation! Ele não é super masculino? Encontrar ele no hospital, e ainda por cima acompanhando a namorada no exame pré-natal!"
"Exame pré-natal? Tem certeza disso?"
"Com toda a certeza. Pelo que falam, o bebê já tem 12 semanas! Hoje ela teve um pouco de sangramento, então ele a trouxe carregada."
Doze semanas... isso significava dois meses atrás.



