Água estava por toda parte.
Fria. Profunda. Sufocante.
As ondas geladas quebravam sobre ela, inundando seus ouvidos, nariz e garganta.
Sophia Woods tinha uma fraqueza fatal — ela não sabia nadar.
E agora, estava se afogando.
A água salgada queimava ao encher seus pulmões, e seu corpo ficava dormente com o frio congelante do mar no início da primavera.
No deque do iate, uma multidão se reuniu, seus murmúrios mal audíveis sobre o som das ondas.
A maioria dos convidados da festa exclusiva daquela noite eram filhas de famílias poderosas. Não eram muitos — pouco mais de vinte —, mas seu status tinha peso nos círculos da elite da cidade.
Mas nesse mundo, ninguém rivalizava com a família Lancaster.
O céu noturno ficou ainda mais escuro à medida que nuvens de tempestade se aproximavam. Uma rajada de vento repentina fez um arrepio atravessar o deque, e então as primeiras gotas de chuva caíram, frias e afiadas. Em segundos, a garoa se transformou em um aguaceiro.
No mar revolto, duas figuras lutavam contra as ondas.
“Socorro… socorro…”
Seus gritos mal se destacavam na tempestade.
De repente, uma figura alta de preto rompeu a multidão atônita.
Quando Lucas Bennett avistou as figuras debatendo-se na água, seu rosto normalmente composto se contorceu de alarme.
Sem hesitar, ele pulou.
A água gelada roubou seu fôlego, mas ele avançou com determinação, ignorando a chuva que caía e o ardor do sal em seus olhos.
Com força pura, ele conseguiu agarrar alguém.
"Rose! Rose, acorda!"
Lucas ofegava, sacudindo a mulher inconsciente em seus braços. Ele não se importava com suas roupas encharcadas grudando em seu corpo, nem com o frio que penetrava em seus ossos - sua única preocupação era a mulher que acabara de tirar da água.
Mas ninguém percebeu que havia mais alguém lá fora... se afogando.
Uma voz aguda cortou o barulho no convés.
"Onde está a Sophia? A Rose não a chamou? Cadê ela?!"
Outra voz se juntou, em pânico.
"Sim! A Sophia—Sophia também caiu!"
Um silêncio tomou conta do convés.
A distância, um raio cortou o céu, iluminando o mar agitado por uma fração de segundo. As ondas avançavam violentamente, mas não havia sinal de ninguém lutando.
Então, alguém na multidão soluçou.
"A Sophia não sabe nadar!".
Lucas ficou paralisado.
Sim, ele tinha visto Sophia apenas momentos atrás.
Antes que as palavras tivessem sido completamente absorvidas, houve outro mergulho.
Alguém mais havia pulado.
Quando Sophia foi retirada da água, Rose já estava tossindo e consciente.
Ninguém conseguia dizer se a umidade em seu rosto era da chuva ou de lágrimas. Seus traços pálidos e delicados se contorciam enquanto ela se agarrava ao homem diante dela.
“Lucas…”
Sua voz trêmula enquanto ela estendia os braços, envolvendo-os em torno do pescoço dele.
Apesar de suas roupas encharcadas, as sobrancelhas de Lucas se franziram levemente, indecifráveis. Então, lentamente, seus braços envolveram a cintura dela, segurando-a firme.
“Não tenha medo. Você está segura agora."
O alívio em sua voz era inconfundível.
Os espectadores suspiraram.
Seus olhares se voltaram para Sophia, que estava deitada imóvel no convés.
Um salva-vidas ainda estava pressionando seu peito, forçando ar em seus pulmões.
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.
Finalmente—
Ela ofegou, tossindo quantidades de água do mar enquanto suas pálpebras tremulavam fracamente.
Tonta, quase inconsciente, a visão embaçada de Sophia se fixou no casal abraçado ao lado dela.
Seus lábios se curvaram em um sorriso tênue, quase imperceptível—cheio de exaustão, compreensão… e algo mais.
A chuva batia em seu rosto pálido enquanto seu corpo finalmente sucumbia à escuridão.
—
Três dias depois
Sophia sobreviveu.
Quando abriu os olhos no terceiro dia, já era meio-dia.
O quarto do hospital estava vazio.
A luz do sol atravessava a janela, lançando um brilho duro contra as paredes brancas e estéreis. A poeira girava no ar, iluminada pela luz.
Ela fitava isso sem expressão. Sua aparência era indecifrável.
Após uma longa pausa, ela se forçou a levantar, seus membros fracos e pesados.
Ela não queria estar ali.
O cheiro de antisséptico era sufocante.
Calçando as pantufas do hospital, ela saiu para fora.
O jardim do hospital era tranquilo, com apenas um enfermeiro ocasional passando por ali.
Ela parou embaixo de uma árvore, sua roupa hospitalar mal a protegendo do frio persistente. Os primeiros brotos da primavera começavam a florescer.
Ela cruzou os braços ao redor do corpo, frágil, mas firme.
Sempre fora bonita, mas havia algo distante nela, algo intocável. Uma frieza silenciosa que a diferenciava.
Ela respirou fundo. Assim que se sentiu um pouco mais segura, uma sombra surgiu.
Rose Woods.
Vestida impecavelmente, seus cabelos caíam em ondas perfeitas. Ela carregava uma garrafa térmica em uma mão e na outra segurava um paletó masculino—um muito grande para seu corpo esguio.
O paletó de Lucas.
O olhar de Sophia se alterou.
Rose percebeu.
Um sorriso rápido passou por seus lábios enquanto ajustava o casaco em torno de si, saboreando sua calidez.
Sophia permaneceu silenciosa, sua expressão indecifrável.
Rose deu um passo lento à frente, sua voz imbuída de preocupação falsa.
"Você é bem teimosa, não é?"
Sophia não respondeu.
Rose se inclinou, abaixando a voz apenas o suficiente para que apenas Sophia ouvisse.
"Não vai admitir a derrota? Até o homem que você ama me escolheu..."



